Trump recua nas tarifas contra a Europa e aposta em acordo com a Otan sobre a Groenlândia

Trump recua nas tarifas contra a Europa e aposta em acordo com a Otan sobre a Groenlândia

Após reunião em Davos, presidente dos EUA diz que suspende sanções comerciais e vê entendimento “vantajoso” para o Ártico e aliados

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira, em Davos, uma mudança de rota na sua estratégia de pressão sobre a Europa. Depois de impor tarifas a países europeus no fim de semana para forçar negociações sobre a Groenlândia, Trump afirmou que vai desistir das medidas e buscar um acordo direto com a Otan.

A decisão, segundo o próprio presidente, veio após uma conversa considerada “muito produtiva” com o secretário-geral da aliança militar, Mark Rutte. Em publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que os dois chegaram a um cronograma para um entendimento envolvendo a Groenlândia e, de forma mais ampla, a segurança da região do Ártico.

Sem entrar em detalhes, Trump disse que o esboço do acordo atende a “tudo o que ele queria” em relação à ilha, mas evitou confirmar se isso significará a anexação da Groenlândia aos Estados Unidos — ideia que ele vem defendendo desde que voltou à Casa Branca.

De acordo com informações da Otan, as conversas incluíram a possibilidade de os EUA ampliarem ou construírem bases militares na Groenlândia, em áreas que poderiam ser tratadas como território americano. Um tratado de 1951 já permite a presença militar dos Estados Unidos na ilha, que pertence à Dinamarca, em modelo semelhante ao das bases britânicas no Chipre.

“Definimos as bases de um futuro acordo que pode ser excelente para os Estados Unidos e para todos os países da Otan”, escreveu Trump. “Com isso, não vou aplicar as tarifas que entrariam em vigor no dia 1º de fevereiro”, completou.

O presidente americano também adiantou que novas informações devem surgir nas próximas semanas, com a participação do vice-presidente J.D. Vance, do secretário de Estado Marco Rubio e do enviado especial Steve Witkoff. Entre os pontos em discussão, estaria a inclusão da Groenlândia no escudo antimísseis conhecido como “Domo Dourado”.

A reviravolta acontece no mesmo dia em que Trump fez duras críticas à Europa e à própria Otan durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial. Na ocasião, afirmou que apenas os Estados Unidos teriam capacidade real de defender a Groenlândia e que o controle da ilha seria uma questão de segurança nacional.

Ainda assim, ele tentou afastar temores de uma escalada militar. Trump garantiu que não pretende usar a força para alcançar seus objetivos, apesar do tom agressivo adotado anteriormente. “Eu não preciso usar a força. Eu não quero usar a força. Eu não vou usar a força”, afirmou.

Enquanto isso, em Estrasburgo, o Parlamento Europeu reagia às ameaças recentes de Washington. Pouco antes do anúncio do recuo americano, a União Europeia oficializou o congelamento de um acordo comercial firmado com os EUA no ano passado, alegando que Trump violou compromissos ao ameaçar novas tarifas por causa da Groenlândia.

Para líderes europeus, o episódio escancarou o uso de pressão econômica como ferramenta política. Para Trump, porém, a suspensão das tarifas e a negociação com a Otan mostram que, ao menos por ora, a disputa entrou em uma fase menos explosiva — e mais diplomática.

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