Ucrânia vira as costas ao Brasil e deixa embaixada sem representante

Ucrânia vira as costas ao Brasil e deixa embaixada sem representante

Insatisfeita com as falas e gestos de Lula, Kiev suspende nomeação de novo embaixador em Brasília, em um gesto claro de reprovação diplomática

Em um movimento silencioso, mas cheio de significado, a Ucrânia decidiu não indicar um novo embaixador para o Brasil. A representação diplomática em Brasília continuará sem chefe desde a saída de Andrii Melnyk, que deixou o cargo em junho para assumir um posto na ONU. A escolha — ou melhor, a não escolha — foi confirmada por fontes ligadas ao governo de Volodymyr Zelensky nesta segunda-feira (21).

A decisão não veio do nada. Já há algum tempo, o governo ucraniano observa com desconfiança as declarações e gestos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, interpretados em Kiev como demasiadamente simpáticos à Rússia de Vladimir Putin. A visita de Lula a Moscou, em maio, para participar da cerimônia do Dia da Vitória, foi a gota d’água.

Nos bastidores, a tentativa brasileira de retomar o diálogo com Zelensky — depois de ter ligações recusadas — soou, nas palavras de diplomatas ucranianos, como “cinismo”: um jogo de aparências para disfarçar a real inclinação do Brasil. O mal-estar só aumentou.

Apesar do Itamaraty tentar minimizar a crise, dizendo que os canais diplomáticos continuam abertos, a ausência de um embaixador ucraniano em solo brasileiro é uma mensagem clara: a relação esfriou — e muito.

Mais irônico ainda é que, ao mesmo tempo em que ignora o Brasil, a Ucrânia amplia sua presença na América Latina. Zelensky anunciou a abertura de novas embaixadas no Equador, Panamá, Uruguai e República Dominicana. Ou seja, o problema não é a região — é o Brasil.

No universo da diplomacia, manter uma embaixada sem um embaixador é mais do que um detalhe burocrático. É um sinal público de descontentamento. Um jeito elegante, mas incisivo, de dizer: “não estamos satisfeitos com o rumo das coisas”.

O governo Lula, que tenta se equilibrar entre não tomar partido na guerra e manter a imagem de pacificador global, agora precisa lidar com as consequências práticas dessa postura ambígua. A Ucrânia decidiu esperar sentada — sem pressa, sem pressões, e sem embaixador.

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