
Lula volta a defender controle das redes e aponta os riscos da desinformação
Em discurso no Chile, presidente critica o uso das plataformas digitais para espalhar ódio e cobra responsabilidade de todos na defesa da democracia
Durante um encontro internacional no Chile, nesta segunda-feira (21), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez um alerta firme sobre os perigos da desinformação e da falta de regulação das redes sociais. Diante de líderes como Gabriel Boric, Pedro Sánchez, Gustavo Petro e Yamandú Orsi, Lula não mediu palavras: liberdade de expressão não é salvo-conduto para atacar a democracia, espalhar mentiras ou incitar a violência.
Lula voltou a defender que é urgente criar regras para as plataformas digitais — hoje livres para funcionar como bem entendem, mesmo quando isso significa virar palco para o ódio e o extremismo. “É preciso devolver aos Estados a capacidade de proteger os seus cidadãos”, disse o presidente, cobrando responsabilidade das empresas de tecnologia e também da sociedade civil.
O encontro “Democracia Sempre” teve como foco central a luta contra as desigualdades, a defesa do multilateralismo e o enfrentamento da desinformação nas redes. Para Lula, preservar a democracia não é papel só dos governos: depende da mídia, das universidades, dos parlamentos, da sociedade organizada — e sim, do setor privado.
A fala do presidente veio num momento em que o mundo assiste à escalada de discursos extremistas e a ataques organizados à soberania de países, inclusive do Brasil. Lula citou a tentativa de interferência do ex-presidente norte-americano Donald Trump, que tem feito críticas públicas ao sistema Pix e defende as big techs, numa clara tentativa de desestabilizar o cenário político brasileiro.
“No Brasil, ninguém está acima da lei”, disparou Lula, em resposta direta às pressões externas. A declaração foi um recado não apenas para Trump, mas também para as gigantes da tecnologia que atuam sem qualquer limite ou responsabilidade sobre os conteúdos que promovem.
Enquanto o mundo observa uma avalanche de mentiras sendo compartilhadas em tempo real, e com consequências graves, o apelo de Lula ecoa como um pedido de socorro pela integridade do debate público. A pergunta que fica é: até quando vamos permitir que algoritmos e interesses privados definam o rumo das democracias?