
“Urna eletrônica não aceita voto de argentino e americano”, diz Alckmin ao defender sistema eleitoral brasileiro
Vice-presidente ironiza aproximação de adversários com líderes estrangeiros e afirma que confiança nas urnas é essencial para a democracia durante convenção que oficializou candidatura de Lula à reeleição
O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), defendeu neste domingo (2) o sistema eleitoral brasileiro e fez uma declaração em tom irônico ao comentar as críticas às urnas eletrônicas durante a convenção nacional que oficializou a candidatura do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) à reeleição.
Durante o discurso realizado em São Paulo, Alckmin afirmou que a urna eletrônica brasileira possui mecanismos seguros e utilizou uma frase que repercutiu no evento:
“A urna eletrônica é tão competente que não aceita voto de argentino e americano.”
A declaração foi interpretada como uma crítica indireta à aproximação de setores da oposição com lideranças internacionais, especialmente após a presença do presidente da Argentina, Javier Milei, em evento político ligado ao lançamento da candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) à Presidência, além da relação de aliados do grupo com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Segundo Alckmin, a contestação ao sistema eleitoral brasileiro representa uma tentativa de colocar em dúvida a vontade popular expressa nas urnas.
“Quem não acredita no voto popular não deveria nem ser candidato a presidente”, afirmou o vice-presidente durante o evento. Para ele, questionamentos ao processo eleitoral seriam sinais de falta de confiança na democracia.
“Lula com chuchu”: Alckmin celebra parceria com presidente
Além da defesa das urnas, Alckmin destacou a continuidade da aliança política com Lula e relembrou o apelido usado para representar a parceria entre os dois.
“Lula com chuchu!”, brincou o vice-presidente, retomando uma expressão que ganhou destaque desde a aproximação entre o petista e o ex-governador de São Paulo, antes adversários políticos.
Alckmin afirmou que pretende continuar trabalhando ao lado de Lula com “fidelidade e responsabilidade” e classificou a união como uma construção política voltada para o desenvolvimento do país.
Convenção oficializa candidatura de Lula
O evento marcou a confirmação da candidatura de Lula à reeleição pelo Partido dos Trabalhadores. A chapa mantém Geraldo Alckmin como candidato a vice-presidente.
A convenção reuniu lideranças do PT, PSB, PV, PCdoB, PDT, PSOL e Rede, além de militantes e apoiadores da campanha.
Durante o encontro, aliados defenderam a continuidade do atual projeto político e fizeram críticas aos adversários da oposição.
O ex-ministro Fernando Haddad afirmou que Lula possui reconhecimento internacional e declarou que o Brasil deve manter uma postura independente nas relações exteriores.
Já a ex-ministra Simone Tebet criticou o grupo político ligado ao ex-presidente Jair Bolsonaro e classificou seus adversários como representantes da extrema direita.
Argentina volta ao centro do debate político brasileiro
A participação de Javier Milei no cenário político brasileiro voltou a ser citada durante o discurso de Alckmin. A presença do presidente argentino em eventos ligados à oposição gerou repercussão e passou a ser usada como elemento de disputa narrativa entre os grupos políticos.
Enquanto aliados de Bolsonaro destacam a aproximação internacional como símbolo de alinhamento ideológico, integrantes do governo Lula utilizam o episódio para reforçar a defesa da soberania nacional e das instituições brasileiras.
No discurso, Alckmin buscou associar a defesa das urnas eletrônicas à preservação da democracia e transformou a referência à Argentina e aos Estados Unidos em uma provocação política aos adversários.
A frase sobre a urna “não aceitar voto de argentino e americano” encerrou o momento de maior repercussão do discurso e rapidamente passou a circular nas redes sociais, alimentando o debate entre apoiadores e críticos do governo.