Vendaval trava os aeroportos e deixa passageiros pelo caminho em São Paulo

Vendaval trava os aeroportos e deixa passageiros pelo caminho em São Paulo

Mais de 300 voos são cancelados em dois dias, filas se multiplicam e remarcar viagem vira teste de paciência

Os fortes ventos que varreram São Paulo nos últimos dias não causaram estragos apenas nas ruas e na rede elétrica. Nos aeroportos, o efeito foi imediato: mais de 300 voos cancelados em apenas 48 horas, terminais lotados e passageiros perdidos entre filas, aplicativos fora do ar e pouca informação.

Somente no Aeroporto de Congonhas, foram 181 voos cancelados na quarta-feira e outros 46 suspensos na manhã desta quinta-feira (11). Em Guarulhos, o cenário também foi de paralisação parcial: 61 chegadas e 56 partidas deixaram de acontecer no mesmo período.

Para quem precisava viajar, o transtorno começou ainda antes de chegar ao aeroporto. A passageira Caroline Cunha, que seguiria para Salvador, conta que recebeu o aviso do cancelamento poucas horas antes do embarque.

— Meu voo era às oito da noite. Por volta das cinco e meia, chegou a mensagem dizendo que estava cancelado. O aplicativo não funcionava, o telefone não atendia… depois de muito esforço, consegui remarcar pelo app — relatou.

A tentativa de antecipar a nova viagem na manhã seguinte virou outro capítulo de confusão.

— Só achei voo para amanhã, às sete da manhã, com escala em Brasília. Vim ao aeroporto para tentar mudar isso, mas a fila não anda e está tudo muito bagunçado — disse à CBN.

A situação se repetiu com outros passageiros. Maria Ribeiro só descobriu que não viajaria depois de despachar as malas.

— Mandaram a gente para um hotel perto, mas quando chegamos lá não tinha vaga nenhuma. Estava tudo lotado. Tivemos que nos virar como deu — contou.

As administradoras dos aeroportos afirmam que as operações seguem dentro dos padrões de segurança. A Aena, responsável por Congonhas, informou que o terminal continua aberto para pousos e decolagens. Já a GRU Airport, em Guarulhos, também diz operar normalmente, apesar dos cancelamentos.

O caos aéreo é reflexo direto do ciclone extratropical que atingiu a capital e a região metropolitana, trazendo rajadas de vento de até 90 km/h, segundo o Centro de Gerenciamento de Emergências Climáticas (CGE). Além dos voos suspensos, o fenômeno causou queda de energia, problemas no abastecimento de água e danos em várias áreas da cidade.

Previsão de alívio

A boa notícia é que o pior parece ter passado. De acordo com o CGE, o sistema de baixa pressão responsável pelo ciclone começa a se afastar para o oceano. A expectativa é de ventos mais fracos, sol predominante e temperaturas em elevação nos próximos dias.

Depois de dois dias de aeroportos travados e paciência no limite, os passageiros esperam que, desta vez, a previsão se cumpra — e que as viagens finalmente voltem a decolar.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags