
Venezuela acusa Trump de crime e cobra reação firme da Celac
Chanceler Yvan Gil pede libertação de Maduro e retirada imediata das forças militares dos EUA do Caribe
O ministro das Relações Exteriores da Venezuela, Yvan Gil, classificou neste domingo (4) como “criminosa” a operação militar dos Estados Unidos que levou à captura do presidente Nicolás Maduro, ocorrida na madrugada de sábado. Durante reunião virtual da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), o chanceler pediu que o bloco exija a libertação do líder venezuelano e a retirada das embarcações militares americanas da região do Caribe.
A declaração foi feita diante dos chanceleres dos países-membros do grupo, incluindo o ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira. Segundo Gil, a Celac vive um momento decisivo e não pode permanecer em silêncio diante da ação conduzida pelo governo de Donald Trump.
“A Celac tem uma responsabilidade histórica. Não pode se dividir entre condenações tímidas e silêncios cúmplices. Os princípios não se negociam: ou se está ao lado do direito internacional, ou da lei do mais forte”, afirmou o chanceler venezuelano.
Gil declarou ainda que a Venezuela segue sob ameaça e que os países da região devem pressionar pelo que chamou de restabelecimento da legalidade internacional, o que incluiria a retirada completa das forças militares estrangeiras do Caribe.
Após a prisão de Maduro, o comando do governo venezuelano passou para a vice-presidente Delcy Rodríguez, auxiliada por um conselho de defesa. Embora tenha recebido elogios iniciais de Trump, Rodríguez adotou rapidamente um discurso crítico à intervenção americana, rejeitando a ideia de que os EUA passem a “administrar” o país durante uma transição.
Mais cedo, Brasil, México, Chile, Colômbia, Uruguai e Espanha divulgaram uma nota conjunta condenando a ação dos Estados Unidos e defendendo uma solução pacífica para a crise, sem interferência externa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também criticou duramente a ofensiva, afirmando que ela ultrapassa limites aceitáveis e remete aos piores episódios de intervenção estrangeira na América Latina e no Caribe.
Captura de Maduro
A operação americana ocorreu em Caracas, onde tropas dos EUA invadiram uma residência fortemente protegida onde estavam Maduro e a primeira-dama, Cilia Flores. Ambos foram presos e acusados de crimes relacionados a um suposto esquema de narcoterrorismo.
Maduro foi extraditado e levado para Nova York, onde passou a noite no Centro de Detenção Metropolitano do Brooklyn, conhecido por abrigar presos de grande notoriedade. Segundo autoridades americanas, a ação foi planejada durante meses e envolveu cerca de 150 aeronaves a partir de 20 bases militares.
Apesar de não registrar baixas entre os militares americanos, houve troca de tiros com forças venezuelanas durante a operação. O governo dos EUA não descarta novas ações no país caso haja resistência interna.
Trump afirmou que a prisão de Maduro teve como objetivo combater o tráfico de drogas e recuperar o controle sobre o setor petrolífero venezuelano, alegando que bilhões de dólares teriam sido desviados ao longo dos últimos anos.