
Venezuela leva os Estados Unidos à ONU após Trump admitir operações secretas da CIA
Governo de Maduro denuncia “ataques letais e ilegais” e acusa Washington de tentar promover um novo golpe no país
A tensão entre Caracas e Washington voltou a subir. O governo da Venezuela anunciou nesta quinta-feira (16) que vai apresentar uma queixa formal contra os Estados Unidos na ONU, após o presidente americano Donald Trump confirmar publicamente que autorizou a CIA a realizar “operações letais” no país e em regiões do Caribe.
A denúncia vem após uma reportagem do The New York Times revelar que o plano teria como objetivo derrubar o regime de Nicolás Maduro, reabrindo um capítulo sombrio da história latino-americana: o das intervenções estrangeiras disfarçadas de defesa da “democracia”.
Em resposta, o chanceler venezuelano Jorge Arreaza classificou a revelação como “um ato de agressão imperialista e violação do direito internacional”. Segundo ele, Caracas exigirá que o Conselho de Segurança da ONU investigue as operações e imponha sanções a Washington.
“Os Estados Unidos voltam a se comportar como donos do mundo, autorizando assassinatos políticos e operações clandestinas em território soberano. A Venezuela não se curvará diante do império”, afirmou Arreaza em comunicado.
Trump, por outro lado, tratou o assunto com naturalidade em coletiva de imprensa. O presidente americano confirmou as ações da CIA e disse que as operações tinham como foco “garantir a segurança nacional e combater cartéis de drogas” — embora não tenha negado o envolvimento em planos para remover Maduro do poder.
A declaração reacendeu críticas da comunidade internacional e trouxe de volta o temor de uma escalada militar na América Latina. Para o governo venezuelano, a ofensiva dos EUA representa “uma nova forma de guerra híbrida”, misturando espionagem, sabotagem e campanhas de desinformação.
Enquanto isso, analistas afirmam que a atitude de Trump pode isolar ainda mais Washington diplomaticamente, num momento em que o mundo tenta evitar novos focos de conflito.
Entre acusações, negações e promessas de resistência, a relação entre EUA e Venezuela volta a lembrar um velho roteiro — o de uma superpotência que insiste em mandar no quintal dos outros.