Trump reacende a tensão: autoriza ações da CIA contra a Venezuela e cogita ataques em solo

Trump reacende a tensão: autoriza ações da CIA contra a Venezuela e cogita ataques em solo

Maduro denuncia “guerra suja no Caribe” e promete levar caso à ONU; clima lembra os piores dias da Guerra Fria

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a provocar turbulência diplomática ao autorizar a CIA a realizar operações secretas contra a Venezuela, alegando combate ao narcotráfico. Durante uma coletiva na Casa Branca, ele afirmou também que estuda ataques terrestres contra cartéis de drogas no país sul-americano — uma declaração que soou como ameaça direta ao governo de Nicolás Maduro.

Poucas horas depois do anúncio, Caracas reagiu com fúria. Maduro convocou pronunciamento em rede nacional e pediu à comunidade internacional que repudie o que chamou de “golpe de Estado da CIA” e “guerra no Caribe”. “A América Latina não precisa de mais invasões disfarçadas de operações de paz”, afirmou o presidente venezuelano, em tom desafiador.

Enquanto Washington fala em “defesa da segurança global”, a Venezuela acusa os EUA de planejar uma mudança de regime, reeditando velhas táticas de intervenção que marcaram o século XX.

Segundo o The New York Times, as ações autorizadas por Trump incluem operações letais em águas internacionais — e já teriam deixado 27 mortos em ataques a supostas embarcações de “narcoterroristas”. Desde agosto, navios e aviões americanos circulam pelo Caribe, diante da costa venezuelana, numa movimentação que Caracas classifica como “assédio militar”.

Questionado por jornalistas, Trump se esquivou: “Autorizei por duas razões”, disse, “porque Maduro comanda um regime narcoterrorista e porque está enviando criminosos para os Estados Unidos”.

Ao ser indagado se teria dado à CIA poder para “eliminar” Maduro, respondeu com ironia: “É ridículo me fazer essa pergunta. Mas seria mais ridículo ainda se eu respondesse.”

Diante das ameaças, Maduro ordenou novos exercícios militares em Caracas e nas zonas costeiras, exibindo tanques e tropas nas ruas. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, ironizou o anúncio americano: “Ah, claro, a CIA nunca operou na América Latina, não é mesmo?”, disse entre risos, numa referência aos inúmeros golpes apoiados por Washington ao longo da história.

O Ministério das Relações Exteriores venezuelano classificou as declarações de Trump como “belicistas e extravagantes”, afirmando que os EUA buscam apenas “legitimar uma invasão disfarçada”. A Venezuela prometeu apresentar uma denúncia formal à ONU, exigindo investigação sobre o uso da força em território soberano.

Enquanto o Caribe ferve, especialistas lembram que a estratégia americana ressoa os velhos fantasmas da Guerra Fria — quando os EUA, em nome da liberdade, derrubavam governos que ousavam pensar diferente.

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