
Rubio acusa Maduro de comandar organização criminosa e nega legitimidade como presidente
Secretário de Estado dos EUA afirma que líder venezuelano atuava como chefe de um cartel de drogas e não como governante legítimo
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, voltou a endurecer o discurso contra Nicolás Maduro neste sábado (3), ao afirmar que o líder venezuelano não pode ser considerado presidente da Venezuela. Segundo Rubio, Maduro seria, na verdade, o comandante do chamado Cartel de los Soles, grupo que Washington classifica como uma organização narco-terrorista.
Em publicação na rede social X, Rubio declarou que o regime chavista perdeu qualquer legitimidade política. Para ele, Maduro usou o Estado venezuelano como plataforma para o tráfico internacional de drogas, especialmente com destino aos Estados Unidos.
“Maduro não é o presidente da Venezuela, e seu regime não representa um governo legítimo”, escreveu o secretário. “Ele é o chefe do Cartel de los Soles, uma organização criminosa que se apropriou de um país inteiro e está indiciada por enviar drogas para dentro dos Estados Unidos.”
A retórica foi reforçada por outros integrantes do governo americano. Também nas redes sociais, o vice-secretário de Estado, Christopher Landau, afirmou que a captura de Maduro marca o fim de um ciclo de impunidade. Segundo ele, o ex-líder venezuelano finalmente responderá por seus crimes perante a Justiça norte-americana.
“Agora ele vai, finalmente, enfrentar a Justiça”, escreveu Landau, acrescentando que a prisão representa um “novo amanhecer para a Venezuela” e o fim de um período que classificou como tirânico.
Escalada militar e tensão regional
As declarações ocorrem no mesmo dia em que os Estados Unidos lançaram ataques contra diferentes regiões da Venezuela. O presidente Donald Trump confirmou que Nicolás Maduro foi capturado durante uma operação militar de grande escala e retirado do país junto com a primeira-dama, Cilia Flores.
A ofensiva americana, segundo Washington, teria como objetivo combater o tráfico internacional de drogas. Desde o início da ação, no entanto, a escalada militar elevou drasticamente a tensão na região.
A Embaixada dos Estados Unidos em Bogotá afirmou estar monitorando as explosões registradas em Caracas e emitiu um alerta recomendando que cidadãos americanos não viajem à Venezuela “sob nenhuma circunstância”. O aviso também orienta evitar áreas próximas às fronteiras com Colômbia, Brasil e Guiana.
Trump confirmou a captura de Maduro em publicação na rede Truth Social, descrevendo a ação como um ataque bem-sucedido conduzido por forças de segurança americanas. Segundo ele, uma coletiva de imprensa deve detalhar a operação.
Reação do governo venezuelano
Do lado venezuelano, a vice-presidente Delcy Rodríguez reagiu exigindo uma prova de vida de Maduro e de Cilia Flores, afirmando que ambos estariam desaparecidos desde a operação. O governo declarou Estado de Comoção Exterior e classificou a ação dos EUA como uma agressão direta à soberania nacional.
Enquanto Washington sustenta que Maduro responderá judicialmente por crimes ligados ao narcotráfico e ao terrorismo, Caracas denuncia uma intervenção ilegal. O episódio aprofunda a crise política, jurídica e diplomática envolvendo os dois países e lança a Venezuela em um dos momentos mais delicados de sua história recente.