Xerox no lugar de gente: aposentados enganados na “fábrica de biometria” do INSS

Xerox no lugar de gente: aposentados enganados na “fábrica de biometria” do INSS

CGU descobre que associações usaram até cópias de RG envelhecidas para fraudar filiações e enfiar descontos goela abaixo dos mais velhos

A cada página dos documentos analisados pela Controladoria-Geral da União (CGU), a fraude na chamada Farra do INSS se mostra ainda mais descarada. Em vez de selfies para comprovar a identidade de aposentados, associações usavam cópias em preto e branco de RGs, fotos antigas e até imagens coloridas artificialmente para simular biometria facial. Era como se, para provar que alguém está vivo, bastasse um xerox amarelado de quando a pessoa tinha 20 anos.

Essas entidades, que deveriam representar e proteger os aposentados, criaram um verdadeiro mercado paralelo de falsificações para arrancar dinheiro de quem já vive com renda apertada. O golpe tinha método: fichas de filiação manipuladas, plataformas tecnológicas adaptadas para “simular legalidade” e empresas de fachada contratadas para validar documentos que jamais poderiam ser aceitos.

De acordo com a apuração, só oito entidades ligadas a uma empresa de biometria fake movimentaram R$ 1,4 bilhão. Outras, comandadas por empresários e dirigentes sindicais, seguiram o mesmo caminho, sempre com a conivência de lobistas que abriam portas dentro do INSS. Em comum, todas deixaram um rastro de aposentados enganados e de processos na Justiça.

O que era para ser uma ferramenta de proteção — a biometria — acabou transformada em fábrica de assinaturas falsas. O aposentado, já vulnerável, virou presa fácil. E, enquanto isso, entidades, dirigentes e empresários riam com os cofres cheios.

No fim das contas, o xerox virou “prova de vida” e a confiança dos mais velhos, papel picado.

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