🌍 Disputa estratégica em curso

🌍 Disputa estratégica em curso

China segue restringindo terras-raras e pressiona indústria dos EUA, apesar de acordo político

Mesmo após o entendimento anunciado entre Donald Trump e Xi Jinping, a China continua controlando o acesso dos Estados Unidos a terras-raras, insumos considerados vitais para setores estratégicos da economia americana. O discurso de distensão não se traduziu, na prática, em liberdade de fornecimento — e a indústria dos EUA sente os efeitos.

Segundo fontes do mercado, autoridades e especialistas em comércio internacional, Pequim até ampliou o envio de produtos já acabados, como ímãs permanentes, mas segue travando a exportação das matérias-primas básicas, como óxidos e metais de terras-raras. Sem esses insumos, os Estados Unidos ficam impedidos de desenvolver uma cadeia produtiva própria, objetivo central da política industrial americana.

O acordo firmado em outubro, após encontro entre Trump e Xi na Coreia do Sul, previa a suspensão das restrições chinesas. À época, Trump chegou a declarar que as barreiras haviam sido “praticamente removidas”. No entanto, o que se vê é um alívio parcial e controlado, longe do prometido.

Na prática, a estratégia chinesa mantém os EUA dependentes de produtos finais, enquanto bloqueia o acesso às etapas iniciais da cadeia. A China, que já domina quase todo o mercado global de terras-raras, preserva assim sua posição de força geopolítica e industrial.

Dados divulgados em dezembro mostram que as exportações chinesas de ímãs para os EUA caíram em novembro, embora ainda estejam acima dos níveis mais críticos do ano. Já o Ministério do Comércio da China afirma que variações mensais são normais e diz apoiar a estabilidade das cadeias globais — mas admite restrições quando há ligação com o setor militar americano.

Do lado dos EUA, a insatisfação é clara. Executivos do setor afirmam que materiais essenciais simplesmente não chegam ao mercado americano. Sem oferta alternativa fora da China, projetos de independência produtiva ficam no papel.

Especialistas alertam que, embora o fornecimento de produtos prontos evite colapsos imediatos em setores como tecnologia e indústria automotiva, o problema estrutural permanece. A dependência continua — apenas disfarçada.

Enquanto a União Europeia já obteve licenças de exportação mais amplas e duradouras, Washington segue sem garantias semelhantes. Além disso, licenças temporárias concedidas no início do ano estão prestes a vencer, aumentando o risco de atrasos e novas pressões políticas.

O cenário reforça a leitura de que os acordos entre China e EUA, até agora, são pontuais, frágeis e reversíveis. No tabuleiro global, Pequim mantém a vantagem — e deixa claro que, quando o assunto é terras-raras, quem controla o insumo controla o jogo.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags