
đ MinistĂ©rio PĂșblico exige explicaçÔes da Unicamp sobre cota trans
Em resposta Ă ação de vereador do UniĂŁo Brasil, promotoria cobra estudos e critĂ©rios que sustentem a polĂtica afirmativa voltada a pessoas trans, travestis e nĂŁo binĂĄrias
O MinistĂ©rio PĂșblico de SĂŁo Paulo (MPSP), por meio da 1ÂȘ Vara da Fazenda PĂșblica de Campinas, solicitou Ă Unicamp informaçÔes detalhadas e os estudos que justificaram a adoção do sistema de cotas voltado a pessoas transgĂȘnero, travestis e nĂŁo binĂĄrias. A iniciativa da universidade foi oficializada no inĂcio de abril, mas agora estĂĄ sob questionamento judicial.
O pedido do MP surge como desdobramento de uma ação popular movida pelo vereador Rubens Alberto Gatti Nunes (UniĂŁo Brasil), que quer barrar imediatamente a aplicação das cotas. Ele afirma que a medida nĂŁo possui respaldo legal e dificultaria, segundo suas palavras, âo acesso de pessoas comunsâ ao ensino superior. Em sua argumentação, o parlamentar ainda critica o conceito de âtransfobia estruturalâ, chamando-o de âsensacionalistaâ e âinventadoâ.
A promotora Fernanda Klinguelfus Lorena De Mello destacou que qualquer polĂtica de cotas â seja por decisĂŁo normativa ou com base na autonomia universitĂĄria â precisa estar sustentada por estudos sĂ©rios e fundamentaçÔes tĂ©cnicas. Ela defende que a universidade apresente critĂ©rios claros de seleção e informe se hĂĄ outras formas de inclusĂŁo jĂĄ existentes voltadas ao pĂșblico-alvo da nova medida.
Diante disso, o MP concedeu à Unicamp o prazo de 10 dias para fornecer as informaçÔes solicitadas. A CNN procurou a universidade para comentar o caso, mas não obteve retorno até a publicação desta reportagem.
A discussĂŁo acontece num momento de intensas reaçÔes pĂșblicas: enquanto setores conservadores atacam a medida, defensores dos direitos humanos e da inclusĂŁo no ensino superior celebram o avanço como um marco para populaçÔes historicamente marginalizadas.