
đïž TST gasta R$ 8,6 milhĂ”es por ano com âfaz-tudo VIPâ para ministros
Empresa contratada troca lĂąmpadas, pendura quadros e atĂ© muda mĂłveis de lugar em apartamentos funcionais â e, em alguns casos, faz reparos atĂ© em casas particulares de ministros
O Tribunal Superior do Trabalho (TST) mantĂ©m um contrato milionĂĄrio de R$ 8,6 milhĂ”es por ano com uma empresa que, na prĂĄtica, virou uma espĂ©cie de âfaz-tudo VIPâ para seus ministros. O contrato, que deveria se restringir Ă manutenção predial, inclui desde instalação de TVs e mĂĄquinas de lavar louça atĂ© ajuste de camas e troca de lĂąmpadas nos apartamentos funcionais do tribunal em BrasĂlia.
O serviço é prestado pela Renovar Engenharia, contratada desde 2022 e que jå recebeu R$ 15,7 milhÔes do TST desde então. O contrato foi renovado vårias vezes e segue vigente até abril de 2026.
Apesar de o tribunal alegar que tudo se enquadra como âmanutençãoâ, os registros mostram pedidos que passam longe disso. Entre as ordens executadas estĂŁo pendurar quadros, instalar varais, mudar mĂłveis de quarto e atĂ© levar uma extensĂŁo elĂ©trica de trĂȘs metros ao apartamento de uma ministra.
Em um caso ainda mais polĂȘmico, tĂ©cnicos da empresa foram atĂ© a residĂȘncia particular do ministro Alexandre Luiz Ramos â que nĂŁo mora em imĂłvel funcional â para consertar um cabo de rede. O TST justificou o serviço alegando que era para garantir uma ârede segura de acesso remotoâ aos sistemas da corte.
Atualmente, o TST possui 15 apartamentos funcionais em ĂĄreas valorizadas de BrasĂlia, como as quadras 302, 313 e 316 da Asa Sul. Dos 27 ministros, 15 moram nesses imĂłveis; apenas um recebe auxĂlio-moradia, limitado a R$ 4,3 mil mensais.
Os gastos com taxas e manutenção dos imĂłveis somam R$ 285 mil desde 2023, mas esse nĂșmero nĂŁo inclui contratos como o da Renovar, nem outras despesas de conforto dos magistrados.
E o conforto Ă© literal: alĂ©m do contrato de manutenção, o TST tambĂ©m gastou R$ 1,5 milhĂŁo anuais com uma sala VIP no aeroporto de BrasĂlia, para que os ministros embarquem sem cruzar com o pĂșblico, e R$ 10,3 milhĂ”es na compra de sedĂŁs de luxo Lexus hĂbridos, ao custo de R$ 346 mil cada.
A corte, que se apresenta como âo tribunal da justiça socialâ, parece praticar uma justiça diferente quando o assunto Ă© comodidade interna.