💾 Quando o Dinheiro Some, Mas os Responsáveis Continuam Invisíveis

💾 Quando o Dinheiro Some, Mas os Responsáveis Continuam Invisíveis

O advogado que nunca entrou no radar da PF, mas surfou milhĂ”es na onda da “Farra do INSS”

Enquanto aposentados descobrem descontos misteriosos no contracheque e a PolĂ­cia Federal desmonta um esquema bilionĂĄrio no INSS, um nome segue circulando com elegĂąncia pelos corredores de BrasĂ­lia — como se vivesse em outro planeta, imune a operaçÔes, buscas e apreensĂ”es.

CecĂ­lio GalvĂŁo, advogado com bom trĂąnsito polĂ­tico e sobrenome tradicional em Pernambuco, recebeu R$ 4 milhĂ”es de entidades suspeitas de participação na “Farra do INSS”. Curiosamente, nunca foi alvo de nenhuma fase da operação. EstĂĄ sempre perto dos protagonistas, mas nunca na cena do crime. Um verdadeiro Houdini jurĂ­dico.

GalvĂŁo virou assunto no Coaf por movimentaçÔes financeiras que fariam um banco suar frio. Dono de consultoria, coleciona contratos com institutos de previdĂȘncia e chegou atĂ© a contratar palestras do filho de um ex-diretor do INSS acusado de operar propinas.
É quase um ciclo perfeito: quem recebe, contrata quem está envolvido, que por sua vez recebe de volta. Só não fecha mais bonito porque, às vezes, a PF chega na porta antes.

As entidades que o contrataram — Unibap e Abenprev (hoje Ampaben) — movimentaram juntas mais de R$ 260 milhĂ”es em descontos sobre benefĂ­cios de aposentados. GalvĂŁo foi o responsĂĄvel por costurar os acordos que permitiram que essas associaçÔes abocanhassem o dinheiro direto da fonte.

O Coaf aponta:
– R$ 3,1 milhĂ”es pagos pela Abenprev
– R$ 888 mil pela Unibap

E os verdadeiros donos das associaçÔes? Dois empresĂĄrios de consignados, Zacarias e Gutemberg, que lucraram mais de R$ 11 milhĂ”es. Um deles, mesmo depois da operação da PF, continuou sacando dinheiro vivo — sempre em generosos pacotes de R$ 50 mil.

Enquanto isso, as investigaçÔes encontram de tudo:
– aposentados com documentos expirados;
– mortos listados como associados;
– filiaçÔes fantasmas;
– e normas atropeladas com a mesma facilidade com que esses grupos gastavam os milhĂ”es arrecadados.

E CecĂ­lio?
Ele diz que apenas prestou assessoria jurĂ­dica. Que tudo foi formal, contratual, estatutĂĄrio. Nada alĂ©m de “orientar”, “parecer”, “analisar aderĂȘncia”. Um trabalho tĂ©cnico, quase burocrĂĄtico. Um cafĂ© e duas folhas. Tudo dentro da lei, segundo ele.

O curioso Ă© que, apesar de tanto zelo, sua empresa aparece ligada a negociaçÔes com fundos que investiram em instituiçÔes hoje investigadas pela PF — como o Banco Master, alvo de suspeitas de fraude bilionĂĄria.

Mas, claro, a consultoria reforça:
“NĂŁo recomendamos investimentos. Apenas fazemos anĂĄlises tĂ©cnicas.”

A velha frase que fecha portas e abre cofres.

No meio disso tudo, CecĂ­lio segue como um personagem quase etĂ©reo: estĂĄ em reuniĂ”es com vice-presidente, debate “petrĂłleo verde”, frequenta eventos e atua nos bastidores enquanto o escĂąndalo cresce ao seu redor.
Um nome que sempre aparece, mas nunca Ă© apontado.

A PF, o Coaf, a CGU e o Congresso estĂŁo olhando para todos os lados.
Menos para o homem que recebeu milhÔes das entidades no centro da investigação.

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