
💸 Senado tenta dobrar isenção do Imposto de Renda e desafia o governo Lula
Depois de o Planalto barrar na Câmara, oposição volta à carga com proposta que isenta quem ganha até R$ 10 mil — e reacende o debate sobre a justiça fiscal no país.
A oposição resolveu não desistir do bolso do brasileiro. Depois de ver sua proposta barrada na Câmara, o Partido Liberal (PL) vai tentar novamente ampliar a faixa de isenção do Imposto de Renda — agora no Senado. A ideia é simples e popular: liberar do pagamento do IR todos os trabalhadores que ganham até R$ 10 mil por mês, o dobro do que foi aprovado pelos deputados.
O autor da proposta é o senador Izalci Lucas (PL-DF), que diz estar confiante na aprovação. “Acho que vai passar. R$ 5 mil ainda é pouco. O brasileiro que ganha R$ 10 mil não é rico — está apenas sobrevivendo diante do custo de vida atual”, argumentou.
Na Câmara, o relator Arthur Lira (PP-AL) barrou o aumento da isenção sob a justificativa de que não havia compensação fiscal para bancar a medida. O governo alegou que dobrar o limite traria impacto “insustentável” às contas públicas — um argumento que soa irônico para quem vê bilhões sendo destinados a emendas, cargos e programas de apelo político.
O texto aprovado pelos deputados foi negociado diretamente com o Planalto e prevê isenção para quem ganha até R$ 5 mil, além de descontos escalonados até R$ 7.350. O governo calcula que 16 milhões de brasileiros serão beneficiados, mas a oposição quer mais: segundo eles, o reajuste atual não cobre nem de longe a defasagem acumulada do imposto nos últimos anos.
No Senado, o clima deve esquentar. O nome do senador Renan Calheiros (MDB-AL) surge como possível relator — o que promete acirrar ainda mais o embate político com Arthur Lira, seu rival histórico.
Se aprovada até o fim do ano e sancionada por Lula, a nova tabela pode virar um dos principais trunfos eleitorais de 2026. Mas, por enquanto, a disputa sobre quem realmente defende o trabalhador segue aberta — entre discursos de justiça social e planilhas de austeridade.
Trecho de indignação:
É quase cômico ver o governo que se diz “do povo” barrar uma proposta que aliviaria o bolso da classe média e dos assalariados. Enquanto o trabalhador conta moedas no mercado, Brasília continua debatendo o impossível — como se garantir dignidade fosse um luxo fiscal.