
đ Alerta vermelho na economia: dĂvida do Brasil pode ultrapassar 120% do PIB atĂ© 2035
đ SubtĂtulo: Instituição Fiscal Independente do Senado prevĂȘ colapso do arcabouço fiscal e dĂ©ficit crescente, mesmo com metas apertadas
Um relatĂłrio da Instituição Fiscal Independente (IFI), ligado ao Senado, soou um alerta importante nesta semana: o chamado “arcabouço fiscal”, que deveria garantir estabilidade Ă s contas pĂșblicas, estĂĄ por um fio â e, se nada for feito, a dĂvida bruta do paĂs pode atingir nĂveis impagĂĄveis atĂ© 2035.
Segundo o documento, divulgado na Ășltima terça-feira (24/6), o atual modelo fiscal Ă© insustentĂĄvel. O estudo projeta que a DĂvida Bruta do Governo Geral (DBGG) saltarĂĄ dos atuais patamares para mais de 124% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2035. E o pior: esse aumento viria mesmo com as metas fiscais sendo tecnicamente cumpridas nos prĂłximos anos â embora no limite do que a lei permite.
âEstamos diante de uma escalada perigosa da dĂvida pĂșblica, que exige reformas profundas e urgentes no orçamento federalâ, alertam os diretores Marcus Pestana e Alexandre Andrade, que assinam o relatĂłrio.
De acordo com a IFI, o crescimento da dĂvida estĂĄ ligado Ă combinação de receitas em queda e despesas que nĂŁo param de subir. Enquanto a arrecadação lĂquida do governo deve cair de 18,3% do PIB em 2025 para 17,7% em 2035, os gastos devem seguir na direção contrĂĄria, chegando a 20,4% do PIB no fim do perĂodo analisado.
O relatĂłrio tambĂ©m prevĂȘ dĂ©ficits primĂĄrios permanentes, o que indica que o governo gastarĂĄ mais do que arrecada durante a prĂłxima dĂ©cada. A projeção Ă© de dĂ©ficit de 0,66% do PIB em 2025, crescendo para 3,0% em 2032, e fechando 2035 com um rombo de 2,7% do PIB.
AlĂ©m disso, o estudo aponta que, mesmo que a meta fiscal de 2025 seja cumprida, ela serĂĄ alcançada no fio da navalha â bem distante do centro da meta estabelecida pelo governo.
A IFI ainda desconsiderou no cĂĄlculo medidas provisĂłrias que ainda estĂŁo em debate no Congresso, como a MP 1.303/2025, o que reforça a incerteza sobre o futuro das contas pĂșblicas.
O recado Ă© claro: sem diĂĄlogo entre Congresso, governo e sociedade para reformular a forma como o Brasil gasta e arrecada, o paĂs pode mergulhar em uma crise fiscal ainda mais profunda nos prĂłximos anos.