
Tarcísio alfineta Lula sobre ações no Moinho: “Estamos aqui para resolver, não fazer cena”
Governador de SP minimiza ausência em evento com Lula na favela e afirma que seu foco é “resolver o problema de verdade, sem holofotes”
Em meio ao embate político sobre a Favela do Moinho, no centro de São Paulo, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) preferiu não comparecer ao evento com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nesta quinta-feira (26/6), mas não deixou de mandar seu recado. Durante agenda em São Bernardo do Campo, Tarcísio cutucou o petista e disse que seu governo “teve a coragem de fazer o que ninguém quis”: iniciar a retirada de moradores e dar início às ações no local.
“Nosso papel não é buscar protagonismo, é encarar o problema de frente. Entramos no Moinho quando outros hesitavam, e começamos a resolver uma situação que envolve muito mais do que habitação. Tem também assistência social, dignidade”, afirmou o governador.
Enquanto Lula anunciava a construção de moradias para cerca de 900 famílias da comunidade, Tarcísio fazia questão de frisar que boa parte das ações já tinham começado antes da adesão do governo federal. “Quando o acordo foi fechado, 186 famílias já tinham sido removidas. E todas com garantia de crédito para uma nova moradia. A entrada do governo federal foi bem-vinda, mas a gente já estava com o trabalho em curso”, declarou.
Indagado sobre o evento de Lula no Moinho, o governador não escondeu o tom crítico: “Ele vai lá fazer o evento dele, tudo certo. Nós, aqui, vamos seguir trabalhando. Nosso objetivo não é fazer palco, é resolver problemas reais”.
Tarcísio também destacou que 386 famílias já foram retiradas do local e que todas estão sendo incluídas no programa habitacional. Pelo acordo, cada família poderá escolher um imóvel de até R$ 250 mil. O governo federal entrará com R$ 180 mil e o estadual com R$ 70 mil — voltado para famílias com renda de até R$ 4,7 mil.
Nos bastidores, a movimentação na Favela do Moinho também tem sido lida como uma disputa política em cenário ampliado. Com o nome de Tarcísio crescendo nas pesquisas e empatando tecnicamente com Lula em cenários para 2026, aliados bolsonaristas pressionam para que ele entre na corrida presidencial — embora o governador diga que mira a reeleição em São Paulo.
Enquanto isso, a Favela do Moinho vira palco não só de reurbanização, mas de narrativas em disputa: de um lado, a ação direta do Estado; do outro, o apelo por reconhecimento e participação social. No meio disso tudo, quase mil famílias esperam por dignidade.