
đ A economia de Lula: recordes no discurso, rombo na realidade
Presidente celebra âĂłtimas notĂciasâ, enquanto dĂvida explode, estatais acumulam prejuĂzos e os Correios flertam com a falĂȘncia
Em sua tradicional mensagem de fim de ano, o presidente Luiz InĂĄcio Lula da Silva resolveu brindar os brasileiros com um balanço otimista da economia nacional. Segundo ele, o paĂs encerra o ano com âĂłtimas notĂciasâ e uma sequĂȘncia de ârecordes histĂłricosâ. A pergunta que ficou no ar foi simples: de qual Brasil Lula estĂĄ falando?
Na publicação feita na rede X, o presidente exaltou a taxa de desemprego em 5,2%, o nĂșmero total de pessoas ocupadas e o volume de trabalhadores com carteira assinada. TambĂ©m destacou o rendimento mĂ©dio do brasileiro, que teria chegado a R$ 3.574, alĂ©m de prometer a menor inflação acumulada dos Ășltimos quatro anos.
đŹ NĂșmeros seletivos, silĂȘncio conveniente
O discurso, no entanto, ignorou pontos incĂŽmodos. Enquanto Lula comemora indicadores isolados, a dĂvida pĂșblica segue em trajetĂłria explosiva, as estatais acumulam prejuĂzos bilionĂĄrios e empresas estratĂ©gicas, como os Correios, operam no vermelho e caminham perigosamente para a insolvĂȘncia.
Mesmo assim, o presidente preferiu destacar a alta do Ibovespa, a valorização do real frente ao dĂłlar e o aumento do investimento estrangeiro â dados que, para crĂticos, pouco dialogam com a realidade fiscal e estrutural do paĂs.
đŠ Estatais no vermelho e conta para o contribuinte
Nada foi dito sobre os dĂ©ficits crescentes, os rombos nas contas pĂșblicas ou a necessidade recorrente de socorro do Tesouro Nacional a empresas estatais mal geridas. Tampouco houve menção ao aumento de gastos, Ă fragilidade do arcabouço fiscal ou Ă dificuldade de equilibrar receitas e despesas sem recorrer a improvisos.
A narrativa otimista contrasta com relatórios técnicos, alertas de analistas e preocupaçÔes do mercado, que veem um governo mais preocupado em vender esperança do que em apresentar soluçÔes concretas.
đ Brasil âjusto e soberanoâ⊠no discurso
Lula encerrou a mensagem prometendo que, em 2026, o governo entregarĂĄ âmuito maisâ e seguirĂĄ comprometido com um Brasil justo, democrĂĄtico e soberano. Para muitos brasileiros, porĂ©m, a sensação Ă© de que o paĂs segue refĂ©m de discursos ensaiados, enquanto problemas estruturais sĂŁo empurrados para baixo do tapete.
đ Entre recordes anunciados e contas que nĂŁo fecham, a economia celebrada pelo presidente parece existir mais no palanque digital do que no bolso do cidadĂŁo.