
đș Lula quer manter alta do IOF e leva briga com Congresso ao STF
Com apoio do PSOL, Planalto aposta no Supremo para reverter derrota no Legislativo e garantir arrecadação extra â mas medida pode tensionar ainda mais a relação entre os Poderes.
Depois de ver o Congresso derrubar o aumento do IOF (Imposto sobre OperaçÔes Financeiras), o presidente Lula decidiu partir para o embate jurĂdico. A ordem foi clara: a Advocacia-Geral da UniĂŁo (AGU) deve recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para tentar reverter a decisĂŁo que barrou a medida.
Segundo o governo, o Congresso ultrapassou os limites ao revogar o decreto presidencial, invadindo uma competĂȘncia que, pela Constituição, Ă© exclusiva do Executivo. A aposta do Planalto Ă© que o STF reconheça essa suposta violação e devolva ao presidente o poder de definir ajustes no imposto.
O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, defende a judicialização como necessĂĄria. Segundo ele, Lula pediu Ă AGU que analise se houve “usurpação de prerrogativa”. Se for confirmada, o governo deve seguir firme na Justiça.
PSOL se antecipa e entra com ação no STF
Antes mesmo da ação oficial da AGU, o PSOL jå entrou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no Supremo. Para o partido, a revogação do aumento do IOF fere a estabilidade do sistema tributårio e pode gerar uma enxurrada de processos judiciais.
AlĂ©m disso, o PSOL argumenta que o imposto Ă© extrafiscal â ou seja, serve para regular o crĂ©dito e o mercado financeiro â e que, portanto, a decisĂŁo deveria mesmo caber ao presidente.
IOF: uma solução polĂȘmica para um rombo antigo
A proposta de aumentar o IOF veio da equipe econĂŽmica como forma de tapar buracos no orçamento sem precisar cortar gastos. A situação das contas pĂșblicas Ă© grave: jĂĄ sĂŁo quase dois anos de dĂ©ficit contĂnuo, e a dĂvida pĂșblica bate os 76% do PIB, segundo o Banco Central.
Com a queda do decreto, o governo agora corre contra o tempo para encontrar até R$ 10 bilhÔes que deixaram de entrar. E não estå descartado que um novo imposto seja colocado na mesa.
Risco polĂtico: briga com o Congresso pode sair caro
Apesar da pressĂŁo por manter a arrecadação, aliados do governo estĂŁo preocupados com o custo polĂtico dessa disputa. HĂĄ o risco de a relação com o Congresso se desgastar ainda mais, o que pode travar outras pautas importantes para o governo â inclusive o orçamento.
AlĂ©m disso, o prĂłprio STF pode se ver no centro de mais um impasse institucional, em meio a um clima jĂĄ tenso entre os TrĂȘs Poderes.
E o contribuinte?
Enquanto isso, o cidadão sente no bolso. Segundo o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT), se o aumento do IOF for mantido, o brasileiro terå que trabalhar quatro dias a mais em 2026 só para pagar impostos.
âO aumento do IOF Ă© mais um retrocesso para a população, que jĂĄ dedica quase cinco meses do ano sĂł para sustentar o Estado. E o pior: sem ver melhorias claras nos serviços pĂșblicosâ, criticou JoĂŁo ElĂłi Olenike, presidente do IBPT.