
“A classe política tem que roubar menos”: frase de Simone Tebet provoca reação de Guilherme Derrite
Em debate pelo Senado de São Paulo, candidata apoiada por Lula responsabilizou a classe política por problemas do país; Derrite contestou a expressão e afirmou que corrupção não pode ser tratada como algo tolerável.
Resumo: Uma declaração de Simone Tebet durante debate entre candidatos ao Senado por São Paulo provocou forte reação de Guilherme Derrite. Ao discutir responsabilidade política, desperdícios e privilégios, Tebet afirmou que “a classe política tem que roubar menos”. Derrite respondeu que políticos não deveriam “roubar menos”, mas não roubar. O episódio abriu novo confronto entre os dois candidatos e trouxe novamente para o centro da campanha a participação de Tebet no governo Lula.
A declaração de Simone Tebet
O episódio ocorreu durante debate promovido pelo Estadão e pela FAAP, em 23 de setembro de 2026. Guilherme Derrite questionou Simone Tebet sobre a responsabilidade do governo federal diante da perda de poder de compra da população e da manutenção das taxas de juros.
Tebet respondeu ampliando a responsabilidade para além do governo federal e afirmou que a classe política deveria assumir sua parcela de responsabilidade.
Na sequência, declarou que a classe política precisava “ter vergonha na cara”, “roubar menos” e combater desperdícios e privilégios. Ela também afirmou que havia tentado propor mudanças relacionadas à Previdência de grupos considerados privilegiados, mas encontrou resistência no Congresso.
A candidata também deixou claro, na mesma resposta, que não estava atribuindo toda a responsabilidade ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ela mencionou governos de diferentes períodos e responsabilizou também o ex-presidente Jair Bolsonaro por questões relacionadas à pandemia e à dívida pública.
Derrite contesta a expressão
Guilherme Derrite não deixou passar a escolha das palavras.
O candidato afirmou que a classe política não deveria “roubar menos”, mas não roubar de maneira alguma. A partir daí, acusou Tebet de demonstrar tolerância com a corrupção e relacionou a crítica à participação dela no governo Lula.
O confronto transformou uma discussão sobre responsabilidade política em uma disputa sobre o significado da expressão utilizada por Tebet.
É importante distinguir, porém, a frase de Tebet de uma defesa explícita da corrupção. Pelo contexto divulgado do debate, ela estava fazendo uma crítica ampla ao comportamento da classe política e defendendo combate a desperdícios e privilégios. A interpretação de que a expressão revelaria “tolerância com a corrupção” foi feita por Derrite e por veículos que repercutiram sua resposta.
A participação de Tebet no governo Lula
Outro elemento utilizado por Derrite foi o fato de Simone Tebet ter integrado o governo Lula como ministra do Planejamento.
A participação é um fato público. Tebet ocupou o Ministério do Planejamento durante o atual governo e posteriormente passou a disputar uma vaga no Senado por São Paulo.
Derrite utilizou essa trajetória para questionar a autoridade política de Tebet para fazer críticas relacionadas à corrupção. Em debates anteriores, ele já havia explorado a mesma questão, lembrando que ela integrou o governo federal.
A existência dessa participação, entretanto, não demonstra por si só que Tebet tenha participado de atos de corrupção. Da mesma forma, críticas feitas por ela ao governo ou à classe política não significam automaticamente que tenha rompido com todas as posições da administração da qual fez parte.
O governo Lula entra novamente no centro do conflito
O episódio acontece durante uma campanha eleitoral marcada por confrontos entre candidatos que procuram associar seus adversários a diferentes grupos políticos.
No caso de Tebet, sua passagem pelo governo Lula é utilizada por adversários como argumento político. Derrite tem explorado esse vínculo em seus ataques durante os debates, enquanto Tebet procura apresentar suas posições como críticas que ultrapassam a divisão entre governo e oposição.
Esse conflito apareceu também em debates anteriores, nos quais os dois candidatos trocaram acusações sobre segurança pública, corrupção e atuação administrativa.
O histórico do confronto entre Tebet e Derrite
A discussão atual não surgiu isoladamente.
Em agosto, Tebet criticou a gestão de Derrite na Secretaria da Segurança Pública de São Paulo, cargo que ele ocupou durante o governo Tarcísio de Freitas. Ela mencionou denúncias envolvendo corrupção e lavagem de dinheiro nas polícias.
A equipe de Derrite respondeu que os casos não foram acobertados e afirmou que as corregedorias foram fortalecidas para investigar suspeitas.
Em debates posteriores, os dois voltaram a trocar acusações sobre segurança pública, corrupção e suas respectivas trajetórias políticas.
O ponto central do conflito
A controvérsia pode ser resumida em duas interpretações diferentes.
Simone Tebet utilizou a expressão “roubar menos” dentro de uma crítica geral à classe política, defendendo combate a desperdícios, privilégios e problemas acumulados ao longo de diferentes governos.
Guilherme Derrite tratou a escolha da expressão como inadequada e argumentou que corrupção não deveria ser apresentada como uma questão de quantidade, mas como uma prática que não deve ocorrer.
A diferença entre os dois está, portanto, tanto no conteúdo da crítica quanto na linguagem utilizada para tratar de corrupção e responsabilidade política.
Partes envolvidas
Simone Tebet (PSB): candidata ao Senado por São Paulo e ex-ministra do Planejamento do governo Lula.
Guilherme Derrite (PP): candidato ao Senado por São Paulo e ex-secretário de Segurança Pública de São Paulo.
Luiz Inácio Lula da Silva (PT): presidente da República, cujo governo teve Tebet como ministra e que apoia sua candidatura ao Senado.
Eleitorado de São Paulo: público diretamente envolvido na disputa pelas duas vagas ao Senado nas eleições de 2026.
O que permanece em discussão
A frase de Simone Tebet gerou repercussão principalmente pela escolha da expressão “roubar menos”. O debate político, entretanto, exige separar a declaração de uma acusação de tolerância à corrupção.
Derrite transformou a expressão em argumento contra a adversária e vinculou o episódio à participação dela no governo Lula. Tebet, por sua vez, apresentou sua fala como uma responsabilização mais ampla da classe política e defendeu o combate a desperdícios e privilégios.
O episódio mostra como uma única expressão pode se tornar elemento central de um confronto eleitoral, especialmente em uma disputa na qual os candidatos procuram explorar os históricos políticos uns dos outros.