A farra dos descontos: PF mira sindicato ligado ao irmão de Lula em nova fase da Operação Sem Desconto

A farra dos descontos: PF mira sindicato ligado ao irmão de Lula em nova fase da Operação Sem Desconto

Enquanto aposentados veem seus benefícios evaporarem em fraudes bilionárias, a Polícia Federal vasculha o sindicato onde o irmão do presidente ocupa cargo de vice — e o país assiste, mais uma vez, ao teatro da impunidade.

A Polícia Federal amanheceu nas ruas nesta quinta-feira (9) para cumprir 66 mandados de busca e apreensão em oito estados e no Distrito Federal. Entre os alvos, está o Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos (Sindnapi) — o mesmo onde José Ferreira da Silva, o Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, atua como vice-presidente.

O sindicato está no centro da nova fase da Operação Sem Desconto, que investiga um esquema de fraudes em aposentadorias e benefícios do INSS, com descontos ilegais aplicados a idosos sem qualquer autorização.

Embora Frei Chico não esteja entre os investigados, o presidente do Sindnapi, Milton Baptista de Souza Filho, teve busca e apreensão cumprida e se manteve em silêncio durante seu depoimento à CPMI do INSS, amparado por um habeas corpus concedido pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal.

Em nota, os advogados do sindicato afirmaram “repúdio e indignação” com as suspeitas, alegando que a entidade age de forma “lícita e em defesa dos aposentados”. Mas o cenário que emerge das investigações é o oposto: organizações de fachada, assinaturas falsas, propinas a servidores do INSS e lavagem de dinheiro com carros de luxo e milhões em espécie.

A PF apreendeu Porsches, armas e dinheiro vivo em endereços ligados ao grupo. Em fases anteriores da operação, já haviam sido descobertos quadros de artistas famosos, esculturas eróticas e até carros de Fórmula 1 — símbolos escandalosos de um luxo sustentado à custa de quem mais precisa.

Segundo os investigadores, entre 2019 e 2024, o rombo nas contas públicas pode ter chegado a R$ 6,3 bilhões — um dinheiro arrancado do bolso de aposentados humildes, enquanto os envolvidos viviam em mansões e desfilavam em carros importados.

Mais uma vez, o Brasil vê um enredo conhecido: a elite sindical, protegida por conexões políticas e decisões judiciais, é investigada por crimes contra os mesmos trabalhadores que diz representar.
E, como sempre, o povo assiste ao espetáculo com a amarga sensação de que a justiça tem lado — e ele nunca é o do aposentado.

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