
AGU ameaça processar Eduardo Bolsonaro por “trair o país em solo estrangeiro”
Jorge Messias culpa deputado por tarifa de Trump e cogita ação por dano moral coletivo após “conspiração internacional” para salvar o pai
O advogado-geral da União, Jorge Messias, não economizou nas palavras ao comentar, nesta quarta-feira (16), a conduta do deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Segundo o chefe da AGU, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro poderá ser processado judicialmente por dano moral coletivo, em razão de sua atuação nos Estados Unidos — que, segundo ele, foi prejudicial aos interesses do Brasil.
Durante entrevista à CNN Brasil, Messias atribuiu a Eduardo parte da culpa pelo chamado “tarifaço de Trump” — a decisão do governo norte-americano de aplicar uma alíquota de 50% sobre produtos brasileiros. O advogado-geral deixou claro que ações legais estão em estudo.
“Nada está fora da mesa. Se ficar comprovado que ele agiu diretamente contra o país, poderá ser responsabilizado na Justiça — inclusive com pedido de indenização coletiva pelos danos causados ao povo brasileiro”, afirmou o ministro.
Messias acusou o parlamentar de usar os bastidores da política americana para sabotar o Brasil, na tentativa de blindar o próprio pai diante das investigações sobre o 8 de Janeiro. “Eduardo foi à Casa Branca conspirar contra o Brasil. Não pensou em empregos, nem nas empresas, nem na população. Pensou só na família. A conta está chegando”, disparou.
Da crise familiar à crise diplomática
Eduardo Bolsonaro se licenciou do cargo e se mudou para os Estados Unidos com a alegação de que estava ali para “denunciar violações de direitos humanos no Brasil” — um recado direto ao Supremo Tribunal Federal, mas disfarçado sob o véu da diplomacia.
Lá, fez reuniões com aliados do ex-presidente Donald Trump e passou a defender abertamente a anistia dos envolvidos no 8 de Janeiro como condição para que os EUA retomem negociações com o Brasil. A manobra, no entanto, repercutiu mal: não só no governo Lula, mas também entre parlamentares do Congresso, que se apressaram em defender a soberania nacional e alertar para os impactos econômicos da escalada.
Na avaliação de Messias, a família Bolsonaro transformou o que era um embate jurídico interno em um conflito comercial internacional, com repercussões diretas na vida de milhões de brasileiros.
“O país está pagando o preço por uma cruzada familiar. Esse tarifaço não é apenas uma sanção comercial, é um reflexo de irresponsabilidade institucional”, criticou o ministro.
O clima esquentou ainda mais após Trump publicar uma carta oficial acusando o Brasil de perseguir Jair Bolsonaro. No texto, ele justificou a nova tarifa com um tom de retaliação política.
Enquanto isso, o bolsonarismo se vê cada vez mais isolado, inclusive dentro do próprio campo conservador — onde aliados já descrevem Eduardo como “fora de controle” e obcecado com as eleições de 2026, mesmo à custa do país.