André Mendonça pressiona PF por dados de investigação que envolve amiga de Lulinha no caso do INSS

André Mendonça pressiona PF por dados de investigação que envolve amiga de Lulinha no caso do INSS

Ministro do STF cobra acesso a materiais de quebra de sigilo e quer explicações sobre mudanças na condução do inquérito da Operação Sem Desconto

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, intensificou o acompanhamento das investigações da Operação Sem Desconto e cobrou da Polícia Federal o envio de materiais obtidos por meio de quebras de sigilo autorizadas no âmbito do inquérito que apura supostas fraudes e descontos indevidos em aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

Entre os documentos solicitados pelo magistrado estão os resultados da quebra de sigilo da empresária Roberta Luchsinger, apontada nas investigações como pessoa próxima de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A cobrança ocorreu em meados de maio, após mudanças internas promovidas pela Polícia Federal na estrutura responsável pelo caso.

A movimentação chamou atenção porque a investigação deixou de ser conduzida pela Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários e passou para a Coordenação de Inquéritos em Tribunais Superiores (Cinq). A alteração resultou na saída do delegado Guilherme Figueiredo Silva da coordenação do inquérito, fato que surpreendeu o relator do caso no STF.

Segundo informações divulgadas pela imprensa, Mendonça teria tomado conhecimento da troca por intermédio de advogados que acompanham o processo, e não por comunicação oficial da corporação. Diante da mudança, o ministro convocou uma reunião com representantes da Polícia Federal e solicitou um relatório detalhado sobre todos os alvos da operação, buscando compreender o estágio atual das apurações e o andamento das diligências já autorizadas.

A empresária Roberta Luchsinger já havia sido alvo de medidas investigativas anteriores. Em março deste ano, foi divulgado que Mendonça autorizou a quebra de seus sigilos bancário e fiscal após pedido da Polícia Federal, antes mesmo de a CPMI do INSS discutir medidas semelhantes.

De acordo com informações das investigações, Luchsinger é citada por investigadores em apurações relacionadas ao esquema de descontos indevidos em benefícios previdenciários. Em depoimentos e documentos analisados pela PF, seu nome apareceu em conexões investigadas entre operadores do esquema e pessoas ligadas ao ambiente político e empresarial. Ela nega irregularidades.

A Polícia Federal afirmou que a transferência do inquérito para a Cinq ocorreu por razões administrativas e teve como objetivo garantir maior eficiência, continuidade e melhor estrutura para a condução das investigações. A corporação sustenta que a mudança não altera o conteúdo das apurações nem compromete o andamento dos trabalhos.

O episódio acrescenta um novo capítulo a uma investigação que já mobiliza autoridades do Judiciário, da Polícia Federal e do Congresso Nacional. Enquanto o inquérito avança, a expectativa é que os materiais obtidos nas quebras de sigilo ajudem a esclarecer o fluxo de recursos e eventuais responsabilidades no esquema que teria causado prejuízos bilionários a aposentados e pensionistas do INSS.

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