Apagão escancara falhas da Enel e Tarcísio reage: “São Paulo não pode ser refém”

Apagão escancara falhas da Enel e Tarcísio reage: “São Paulo não pode ser refém”

Após vendaval histórico deixar milhões no escuro, governador cobra intervenção, defende investimentos e assume postura firme diante da crise

O vendaval que varreu a Grande São Paulo com rajadas próximas de 100 km/h não deixou apenas árvores caídas e voos atrasados. Deixou, sobretudo, mais de 2 milhões de pessoas sem energia e uma sensação de abandono que se repete a cada evento climático mais intenso. Diante desse cenário, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) subiu o tom, criticou duramente a Enel e passou a defender intervenção na concessionária, classificando o desempenho da empresa como inaceitável.

Para Tarcísio, a resposta da Enel ao apagão foi lenta, insuficiente e incompatível com o tamanho e a importância da região metropolitana. Segundo ele, a estrutura colocada em campo não dá conta da complexidade do problema e o restabelecimento total da energia ainda deve levar vários dias — um prazo que pesa diretamente sobre a rotina da população, do comércio e dos serviços essenciais.

— Não dá para aceitar que São Paulo continue refém de um serviço que não entrega o mínimo esperado. A diferença de desempenho entre a Enel e outras concessionárias é clara — afirmou o governador, ao destacar que os maiores atrasos sempre se concentram na área atendida pela empresa.

Repúdio à Enel e cobrança por mudança real

O discurso de Tarcísio ecoa o sentimento de milhões de paulistas que, mais uma vez, ficaram no escuro sem respostas claras, sem prazos confiáveis e sem assistência adequada. A Enel volta a justificar os apagões com a narrativa de “evento climático extremo”, mas ignora o ponto central: a falta de investimentos preventivos, de modernização da rede e de capacidade de resposta rápida.

Embora a concessionária alegue ter mobilizado mais de 1.600 equipes e restabelecido parte do serviço, o fato é que centenas de milhares de imóveis seguem sem luz, três dias depois do vendaval. Para quem depende de energia para trabalhar, armazenar alimentos, garantir segurança ou manter equipamentos médicos, essa demora não é detalhe técnico — é descaso.

Mérito a Tarcísio pela postura firme

Mesmo com limitações legais — já que o contrato é regulado pela Aneel, órgão federal —, Tarcísio tem sido coerente e persistente ao cobrar providências. Ele defende a intervenção como alternativa concreta à simples troca de notas oficiais e estuda, inclusive, a reorganização do contrato, com divisão da área de concessão e exigência de novos investimentos.

O governador também rebateu críticas de que estaria “politizando” o tema. Para ele, política é ignorar famílias no escuro, comércios no prejuízo e hospitais operando no limite.

— Quem faz política com isso são os que não dão previsibilidade, não entregam resultado e deixam as pessoas dias sem energia — reforçou.

Um problema que insiste em se repetir

O vendaval, causado por um ciclone extratropical, foi intenso, mas não imprevisível. O que se repete, de forma cansativa, é o mesmo roteiro: vento forte, apagão prolongado, explicações genéricas e nenhuma mudança estrutural.

Enquanto isso, São Paulo paga a conta. E cada novo apagão reforça a necessidade de romper com a normalização do caos.

Neste contexto, a postura de Tarcísio se destaca não apenas como reação política, mas como resposta institucional necessária. Já a Enel, mais uma vez, sai do episódio com a imagem de uma concessionária aquém do desafio, distante das necessidades reais da população que deveria atender.

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