
Troca de acusações vira barraco público após queda da Lei Magnitsky
Nikolas Ferreira e Allan dos Santos se enfrentam nas redes depois da revogação das sanções contra Alexandre de Moraes
A queda da Lei Magnitsky contra o ministro do STF Alexandre de Moraes não encerrou apenas um capítulo diplomático — acabou abrindo espaço para um bate-boca explícito e nada elegante entre figuras do mesmo campo político. Na tarde desta sexta-feira (12), o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) e o bolsonarista Allan dos Santos, foragido da Justiça desde 2021, trocaram farpas públicas na rede social X, em um episódio que rapidamente descambou para a agressão verbal.
Tudo começou quando Allan insinuou que Nikolas teria compartilhado um tuíte seu em um grupo de WhatsApp formado por deputados federais. A provocação veio em tom desafiador, com convite para um debate ao vivo. A resposta de Nikolas, no entanto, foi curta, direta e sem qualquer filtro diplomático.
— “Não, porque você é um bosta”, escreveu o deputado.
A reação de Allan veio logo em seguida, tentando devolver a ofensa com um questionamento moral, sugerindo que Nikolas evita debates por medo. O clima, que já era tenso, escancarou uma racha pública entre dois nomes que até pouco tempo orbitavam o mesmo discurso político.
O pano de fundo da briga
A discussão ocorre dias depois de Allan dos Santos ter afirmado, nas redes, que os Estados Unidos não retirariam as sanções impostas a Alexandre de Moraes com base na Lei Magnitsky. O post acabou sendo apagado, mas voltou ao centro do debate quando a revogação foi oficialmente confirmada pelo governo americano.
Com a decisão, Moraes deixou de constar na lista de sancionados, recuperou acesso a contas bancárias, bens e interesses sob jurisdição dos EUA, além de voltar a poder entrar no país sem restrições. A medida encerrou quase cinco meses de punições e desmontou uma das principais narrativas defendidas por setores bolsonaristas no exterior.
Quando o discurso vira espetáculo
O episódio entre Nikolas e Allan expõe mais do que uma briga pessoal. Revela o nível de desgaste interno, a disputa por protagonismo e a incapacidade de manter qualquer aparência de unidade quando os fatos desmentem expectativas criadas no calor da militância digital.
No fim das contas, o que sobra não é argumento, nem estratégia política — é só o espetáculo raso de uma briga pública que termina como começou: em palavrão, vaidade e muita bosta.