Aumento que não paga nem o cafezinho

Aumento que não paga nem o cafezinho

Professores devem receber “reajuste simbólico” de R$ 18,10 em 2026

Se a ideia era animar os professores para 2026, o plano ficou pelo caminho. O possível reajuste do piso salarial do magistério deve ser de apenas 0,37%, o que, na prática, significa um aumento de R$ 18,10 no contracheque. Isso mesmo: menos que um lanche completo — e olhe lá.

Caso o percentual seja confirmado pelo Ministério da Educação (MEC), o piso nacional passará de R$ 4.867,77 para R$ 4.885,78. Um crescimento tão tímido que muitos educadores só vão perceber quando fizerem as contas… com lupa.

O detalhe que tira ainda mais o sorriso do rosto é que a inflação de 2025 deve fechar em cerca de 4,4%, segundo o Banco Central. Traduzindo: o salário sobe um pouquinho, mas o custo de vida sobe correndo. Resultado? Perda de poder de compra, mais uma vez.

O MEC tem até 31 de janeiro para oficializar o reajuste. O cálculo segue a regra atual, que vincula o aumento do piso ao crescimento do investimento por aluno no Fundeb. O problema é que, na prática, essa fórmula tem produzido aumentos que não acompanham a realidade do supermercado, do aluguel e da conta de luz.

A Frente Parlamentar Mista da Educação já avisou que está de olho na situação e reconheceu o óbvio: reajuste abaixo da inflação é sinônimo de salário encolhendo. Em nota, reforçou que não dá para tratar como detalhe a remuneração de uma categoria essencial para o futuro do país.

Já a Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação (CNTE) foi ainda mais direta. Criticou o índice, lembrou que em anos anteriores os aumentos também ficaram aquém da inflação — e prometeu pressionar o governo por uma revisão urgente. Para a entidade, esse “aumento” mais parece uma redução salarial disfarçada.

O MEC afirma que está dialogando com estados, municípios e representantes dos professores e estuda alternativas, como atrelar o reajuste ao INPC. Por enquanto, porém, tudo segue no campo das conversas.

Enquanto a decisão final não sai, fica o sentimento geral entre os educadores: o reconhecimento veio, mas em moedas. E o reajuste, que deveria valorizar, acabou virando piada — daquelas que a gente ri só para não chorar.

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