
Biden rebate Trump e diz que autorizou uso de assinatura eletrônica em perdões presidenciais
Ex-presidente afirma que tomou todas as decisões de clemência e chama acusações de manipulação por assessores de “mentiras vingativas” dos republicanos
O ex-presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, veio a público pela primeira vez para se defender das acusações feitas por aliados de Donald Trump, que questionam sua sanidade e o uso de sua assinatura em decisões de clemência ao final de seu mandato. Em entrevista ao The New York Times, Biden afirmou que autorizou pessoalmente cada perdão e comutação de pena, mesmo quando foram executados com o uso da chamada “auto pen”, uma caneta automatizada que replica a assinatura do presidente.
“Todas as decisões foram minhas. Pedi que usassem a caneta automática porque envolvia muita gente. Era mais eficiente”, afirmou Biden na ligação de dez minutos com o jornal, acrescentando que Trump e seus aliados estão mentindo deliberadamente ao sugerirem o contrário.
Ao fim de sua presidência, Biden reduziu as penas de cerca de 4 mil presos federais e perdoou preventivamente dezenas de pessoas, incluindo nomes politicamente sensíveis — alvos, segundo ele, de possíveis retaliações de Trump. Entre os beneficiados, estavam o general Mark Milley, o médico Anthony Fauci e membros do comitê que investigou o ataque ao Capitólio em 6 de janeiro.
Os questionamentos fazem parte de uma ofensiva do Partido Republicano, que inclui investigações abertas pela Casa Branca de Trump, pelo Departamento de Justiça e pelo Congresso. Parlamentares exigem depoimentos de ex-assessores de Biden, muitos dos quais já contrataram advogados por receio de acusações de perjúrio.
O ex-médico de Biden se recusou a responder aos congressistas, invocando a Quinta Emenda. Segundo seus advogados, o risco de distorções jurídicas é alto diante de um cenário tão politicamente carregado. Biden, por sua vez, possui proteções constitucionais mais robustas por já não ocupar o cargo.
Trump chegou a admitir que não possui provas de que os documentos foram assinados ilegalmente, mas insiste que Biden não estava no controle, citando sua fraca performance no debate presidencial de 2024 — após o qual Biden desistiu de disputar a reeleição.
A clareza sobre o papel de Biden nas decisões de clemência depende agora da análise de milhares de e-mails entregues pelo Arquivo Nacional. Um deles, de 30 de outubro de 2024, mostra o conselheiro da Casa Branca, Ed Siskel, preparando o terreno para uma série de pedidos de clemência, afirmando que “o presidente toma a decisão final”.
Nos três meses finais de seu governo, Biden aprovou quatro grandes pacotes de clemência, todos com uso da auto pen. As medidas beneficiaram infratores não violentos de drogas, prisioneiros em regime domiciliar devido à pandemia e até mesmo 37 dos 40 condenados à morte no sistema federal, convertendo suas penas em prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional.
“Sabíamos o quão vingativo Trump é”, disse Biden. “Tomei essas decisões conscientemente para proteger pessoas inocentes de perseguições políticas. E faria tudo de novo.”