Brasil despenca no ranking global de crescimento e cai do 5º para o 32º lugar

Brasil despenca no ranking global de crescimento e cai do 5º para o 32º lugar

Com alta de apenas 0,4% no segundo trimestre, economia sofre efeito de juros altos e desaceleração; países asiáticos dominam o topo do ranking.

A pesquisa foi elaborada por Alex Agostini, economista-chefe da agência de classificação de risco Austin Rating, considerando o desempenho econômico de cada país sem fatores sazonais, permitindo uma comparação mais precisa.

O Brasil sofreu uma queda significativa no ranking global de crescimento econômico. Segundo os dados do Produto Interno Bruto (PIB) divulgados nesta terça-feira, a economia avançou apenas 0,4% entre abril e junho, após ter registrado 1,4% no primeiro trimestre. Com isso, o país caiu da quinta para a 32ª posição entre 55 nações que já divulgaram seus números.

Segundo Agostini, o desempenho fraco do Brasil no segundo trimestre reflete o chamado “voo de galinha” da economia: avanços temporários seguidos de desaceleração, agravados pelos juros altos, atualmente em 15% ao ano, e pela insegurança fiscal, que freia investimentos privados.

Enquanto o Brasil patina, outras economias ganham ritmo. China e Estados Unidos ficaram em 12º e 15º lugar, com crescimento de 1,1% e 0,8%, respectivamente. Na América Latina, México (0,6%) e Colômbia (0,5%) superaram o Brasil, enquanto Chile registrou 0,4%, empatando com o país.

Ásia domina o crescimento mundial

Os países asiáticos lideraram o ranking de crescimento no segundo trimestre. A Indonésia disparou 4%, seguida por Taiwan (3,1%) e Malásia (2,1%). Outros destaques incluíram Arábia Saudita, Tunísia, Turquia, Filipinas, Cingapura, Dinamarca e Croácia, com altas entre 1,2% e 2,1%.

Agostini observa que os países asiáticos cresceram de forma consistente após a crise do Sudeste Asiático e devem se beneficiar das políticas protecionistas recentes dos Estados Unidos, fortalecendo ainda mais suas economias e atraindo investimentos de médio e longo prazo, algo que o Brasil tem dificuldade de competir.

“O maior desafio do Brasil é sustentar o crescimento de forma estrutural. Apesar da melhora no desemprego e renda, o avanço atual traz inflação e exige juros altos. Não é um crescimento sólido como vemos na China, Índia e outros emergentes asiáticos, que sempre planejam para o longo prazo”, destacou Agostini.

No ranking das maiores economias do mundo em termos de PIB nominal, o Brasil ocupa a 10ª posição, com US$ 2 trilhões.

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