Carol de Toni e Carlos Bolsonaro são eleitos para o Senado por Santa Catarina

Carol de Toni e Carlos Bolsonaro são eleitos para o Senado por Santa Catarina

Dupla do PL conquista as duas vagas em disputa, leva o partido a ocupar as três cadeiras catarinenses no Senado e encerra a disputa com Esperidião Amin na terceira colocação

Santa Catarina escolheu, nas eleições deste domingo (4), Carol de Toni e Carlos Bolsonaro, ambos do Partido Liberal (PL), para representar o estado no Senado Federal a partir de 2027.

Com a apuração concluída, Carol de Toni terminou na primeira colocação, com 33,46% dos votos válidos, enquanto Carlos Bolsonaro ficou em segundo, com 25,35%. O senador Esperidião Amin (PP), que buscava a reeleição, terminou em terceiro, com 15,31%.

O resultado garante ao PL as duas vagas que estavam em disputa e produz uma configuração inédita para a bancada catarinense: a partir de 2027, as três cadeiras de Santa Catarina no Senado estarão nas mãos do mesmo partido, já que Jorge Seif, também do PL, possui mandato até 2031.

Os dois novos senadores terão mandatos de oito anos, com início em 2027 e término previsto para 2035.

Carol de Toni lidera a votação

A primeira vaga ficou com Caroline Rodrigues de Toni, que chega ao Senado depois de dois mandatos como deputada federal.

Natural de Chapecó, Carol de Toni é advogada, formada em Direito pela Universidade Comunitária da Região de Chapecó e mestre em Direito Público. Sua trajetória eleitoral começou em 2016, quando disputou uma vaga de vereadora em Chapecó e ficou como suplente.

Dois anos depois, em 2018, foi eleita deputada federal por Santa Catarina. Em 2022, conseguiu a reeleição. Durante sua passagem pela Câmara dos Deputados, presidiu a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) em 2024, uma das principais comissões da Casa.

Agora, deixa a Câmara para assumir seu primeiro mandato no Senado.

Uma vitória expressiva no estado

Carol terminou a eleição com mais de um terço dos votos válidos de Santa Catarina.

Dados divulgados após a apuração indicam que ela foi a candidata mais votada para o Senado em 289 dos 295 municípios catarinenses, mostrando a extensão de sua votação no estado.

O resultado também consolida uma trajetória que começou na política municipal e passou pela Câmara dos Deputados antes de chegar à Casa Alta.

Durante a campanha, Carol apresentou entre suas prioridades uma maior participação de Santa Catarina na definição de investimentos e recursos públicos.

Após a eleição, a nova senadora destacou que o resultado aumenta sua responsabilidade e afirmou que pretende levar ao Senado uma atuação voltada à defesa da moralidade das instituições e à obtenção de mais investimentos para o estado.

Carlos Bolsonaro conquista a segunda vaga

A segunda cadeira ficou com Carlos Nantes Bolsonaro, filho do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Carlos chega ao Senado depois de uma longa trajetória na política municipal do Rio de Janeiro. Ele foi eleito vereador pela primeira vez em 2000, aos 17 anos, e permaneceu na Câmara Municipal carioca por sete mandatos consecutivos, entre 2001 e 2025.

Formado em Ciências Aeronáuticas, Carlos deixou o Legislativo municipal do Rio e transferiu seu domicílio eleitoral para Santa Catarina em 2025, abrindo caminho para disputar uma das duas vagas ao Senado pelo estado.

A mudança provocou intenso debate político durante a campanha, especialmente porque Carlos construiu toda sua carreira eleitoral no Rio de Janeiro e passou a disputar uma cadeira em Santa Catarina.

Mesmo diante das críticas, o resultado das urnas confirmou sua eleição.

A campanha que provocou disputa dentro do próprio campo político

A formação da chapa catarinense foi marcada por mudanças e conflitos entre grupos que, em diferentes momentos, estiveram politicamente próximos.

O desenho inicialmente discutido em Santa Catarina envolvia Carol de Toni e Esperidião Amin. A entrada de Carlos Bolsonaro modificou a composição e colocou três nomes competitivos na disputa por apenas duas vagas.

Em determinado momento, Carol chegou a ameaçar deixar o PL diante da possibilidade de ficar fora da chapa. O impasse acabou sendo resolvido com a candidatura conjunta de Carol e Carlos pelo partido.

A disputa também provocou divergências entre integrantes da direita catarinense.

Apesar das dificuldades internas, os dois candidatos do PL terminaram justamente nas duas primeiras posições.

Carlos enfrentou críticas, mas chegou ao Senado

Um dos principais argumentos dos adversários de Carlos durante a campanha foi o fato de ele ter construído sua carreira política no Rio de Janeiro e somente posteriormente transferido seu domicílio eleitoral para Santa Catarina.

O próprio candidato enfrentou questionamentos sobre sua ausência em debates e sabatinas. Segundo levantamento publicado durante a campanha, Carlos optou por concentrar sua comunicação em vídeos e eventos, além de explorar sua ligação política com Jair Bolsonaro e com seu irmão Flávio Bolsonaro.

No fim, a votação mostrou que essa estratégia foi suficiente para garantir a segunda vaga.

Carlos recebeu 25,35% dos votos válidos, ficando mais de dez pontos percentuais atrás de Carol, mas com uma vantagem confortável sobre Esperidião Amin, que terminou com 15,31%.

O que Carlos promete levar para o Senado

Durante a campanha, Carlos apresentou propostas relacionadas principalmente à destinação de recursos para áreas consideradas prioritárias no estado.

Entre as promessas esteve a utilização de parte de suas emendas para acelerar a realização de cirurgias e o direcionamento de recursos para hospitais filantrópicos catarinenses.

Em declaração divulgada pela Rádio Senado, Carlos afirmou que pretende utilizar parte das emendas para ampliar os mutirões de cirurgias e apoiar o sistema de hospitais filantrópicos de Santa Catarina.

A proposta está relacionada a uma das atribuições políticas dos senadores: atuar na representação do estado e buscar recursos federais para projetos e serviços públicos.

Carol também assume compromisso com Santa Catarina

Carol de Toni, por sua vez, chega ao Senado com uma experiência legislativa já consolidada.

Depois de oito anos na Câmara dos Deputados, ela terá agora uma nova responsabilidade institucional.

A parlamentar afirmou que a eleição representa mais compromisso e responsabilidade e destacou como prioridades a defesa da moralidade das instituições e a busca por investimentos para Santa Catarina.

A mudança da Câmara para o Senado também altera o ambiente de atuação da parlamentar.

No Senado, Carol terá participação em comissões, votações de projetos de lei, propostas de emenda à Constituição, sabatinas e outras decisões de alcance nacional.

Esperidião Amin fica fora

O resultado também encerra o atual mandato de Esperidião Amin no Senado.

Amin, que buscava a reeleição, terminou em terceiro lugar, com 15,31% dos votos válidos.

Na sequência apareceram Décio Lima (PT), com 10,22%, e Afrânio Boppré (PSOL), com 8,16%.

A derrota de Amin chama atenção porque ele possui uma das trajetórias políticas mais tradicionais de Santa Catarina.

Ainda assim, a eleição demonstrou que experiência política e tradição não foram suficientes para garantir uma das duas vagas colocadas em disputa.

As três cadeiras de Santa Catarina ficarão com o PL

Um dos efeitos mais importantes do resultado está na composição futura da bancada catarinense.

Com Carol de Toni e Carlos Bolsonaro eleitos, o PL passa a controlar as três cadeiras de Santa Catarina no Senado.

Carol e Carlos assumirão em 2027, enquanto Jorge Seif continuará no cargo até 2031.

Isso dará ao partido uma representação integral do estado na Casa Alta durante os próximos anos.

Na prática, os três senadores catarinenses pertencerão à mesma legenda, embora cada parlamentar mantenha sua própria atuação, prioridades e posicionamentos.

Uma nova fase para Carol de Toni

A eleição também tem um significado particular para Carol de Toni.

Ela será apenas a segunda mulher eleita senadora por Santa Catarina, 24 anos depois de Ideli Salvatti, eleita em 2002.

Sua trajetória representa uma ascensão dentro do Legislativo: de uma candidatura municipal em 2016 para a Câmara dos Deputados em 2018, a reeleição em 2022 e, agora, o Senado Federal.

A passagem pela CCJ também lhe deu experiência em uma das áreas centrais do processo legislativo.

No Senado, essa experiência poderá ser aplicada em uma instituição que possui papel decisivo em temas constitucionais e na análise de indicações para diversos cargos públicos.

O peso político da eleição de Carlos Bolsonaro

Para Carlos Bolsonaro, a vitória representa uma mudança significativa

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