
Filipe Barros e Deltan Dallagnol são eleitos senadores pelo Paraná após uma das disputas mais tensas da eleição
Filipe supera 3,1 milhões de votos e Deltan conquista cerca de 2,9 milhões; eleição do ex-procurador ocorreu em meio a uma batalha judicial que chegou ao TSE na véspera da votação
O Paraná elegeu Filipe Barros (PL) e Deltan Dallagnol (Novo) para as duas vagas ao Senado disputadas nas eleições de 2026. O resultado levou ao Congresso dois nomes identificados com a direita e com trajetórias distintas na política paranaense.
Filipe Barros terminou na primeira colocação, com 3.148.583 votos, ou 27,25% dos votos válidos. Deltan Dallagnol ficou em segundo, com 2.904.594 votos, equivalentes a 25,14%. Alexandre Curi (Republicanos) terminou em terceiro, com 16,85%, seguido por Gleisi Hoffmann (PT), com 13,35%.
Os dois terão mandatos de oito anos, com início em 1º de fevereiro de 2027 e término em 31 de janeiro de 2035.
Mas, no caso de Deltan, a vitória eleitoral ganhou uma dimensão adicional: o ex-procurador chegou às urnas depois de enfrentar decisões judiciais que colocaram sua candidatura sob forte incerteza nas horas que antecederam a votação.
Filipe Barros conquista a primeira vaga
A primeira cadeira ficou com Filipe Barros, de Londrina.
Aos 35 anos, o parlamentar chega ao Senado depois de oito anos de experiência na Câmara dos Deputados. Antes disso, foi vereador de Londrina entre 2017 e 2018.
Formado em Direito pela Universidade Estadual de Londrina, Barros iniciou sua trajetória política ainda jovem e posteriormente passou a ocupar espaço na política nacional. Em 2018, foi eleito deputado federal e, em 2022, conseguiu a reeleição.
A eleição para o Senado representa, portanto, uma mudança de patamar em sua carreira.
Segundo o Senado Federal, Filipe Barros será o senador mais jovem do país desde 1903, tomando posse com 35 anos e oito meses.
Uma campanha ligada ao Paraná
Durante a campanha, Barros apresentou sua candidatura como uma representação direta dos interesses do Paraná em Brasília.
Entre suas principais propostas estavam mudanças institucionais, incluindo a discussão sobre mandatos para ministros do Supremo Tribunal Federal, além de medidas relacionadas à segurança pública, infraestrutura e sistema de pedágios.
Na votação do primeiro turno, ele também defendeu a necessidade de mudanças na forma de indicação dos ministros do STF.
Antes da apuração, em Londrina, Barros afirmou que pretendia apresentar uma proposta de reforma do Judiciário caso fosse eleito e defendeu que o Supremo atuasse de maneira imparcial.
Deltan Dallagnol retorna ao Congresso
A segunda vaga ficou com Deltan Dallagnol, que retorna ao Congresso Nacional depois de sua passagem pela Câmara dos Deputados.
Deltan tem 46 anos, nasceu em Pato Branco, no Paraná, e é formado em Direito. Sua trajetória nacional ganhou projeção principalmente a partir de sua atuação como procurador da República e de sua participação na Operação Lava Jato, que coordenou em Curitiba entre 2014 e 2020.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo Paraná, mas seu mandato foi cassado em 2023 por decisão da Justiça Eleitoral.
Agora, três anos depois, Dallagnol retorna ao Legislativo pela porta do Senado.
O resultado das urnas mostra a dimensão de sua votação: quase 2,9 milhões de paranaenses escolheram seu nome para uma das duas cadeiras disponíveis.
A eleição marcada pela batalha judicial
A candidatura de Deltan foi um dos capítulos mais controversos das eleições de 2026.
O registro havia sido deferido pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná, mas, às vésperas da votação, o ministro Floriano de Azevedo Marques, do Tribunal Superior Eleitoral, decidiu monocraticamente pelo indeferimento da candidatura.
A decisão determinou que os votos fossem considerados nulos, embora o nome de Dallagnol permanecesse na urna. A decisão ainda precisaria passar pela análise do plenário do TSE.
A situação criou um cenário incomum: o eleitor poderia encontrar o nome de Dallagnol na urna e votar nele, mesmo diante de uma decisão individual que havia colocado seu registro em situação de indeferimento.
A defesa anunciou que recorreria.
“Meu nome está na urna”
Foi nesse ambiente que Deltan gravou e divulgou um vídeo na noite anterior à eleição.
Na gravação, o ex-procurador afirmou que seu nome continuava aparecendo na urna e pediu que seus apoiadores não desistissem.
Dallagnol disse que sua equipe jurídica trabalhava para reverter a decisão e sustentou que o caso ainda seria analisado pelo plenário do TSE.
O candidato também criticou a decisão judicial e afirmou enxergar contradições entre decisões anteriores e a medida tomada na véspera da votação.
Ao final do vídeo, Dallagnol transformou a eleição em um chamado aos seus apoiadores e afirmou:
“Não desista, meu nome está na urna.”
O episódio deu à campanha uma dimensão que ultrapassou a disputa tradicional entre candidatos.
A votação respondeu nas urnas
Apesar da turbulência judicial, Deltan terminou a eleição como o segundo candidato mais votado para o Senado no Paraná.
Foram 2.904.594 votos, contra 1.947.135 de Alexandre Curi e 1.542.636 de Gleisi Hoffmann.
A diferença entre Deltan e o terceiro colocado ultrapassou 957 mil votos.
O resultado eleitoral, entretanto, não encerra automaticamente a discussão jurídica sobre o registro.
A situação de Dallagnol ainda depende da análise do plenário do Tribunal Superior Eleitoral.
Isso significa que a vitória nas urnas e a situação jurídica da candidatura são questões relacionadas, mas distintas: a apuração confirmou Dallagnol como o segundo mais votado, enquanto a Justiça Eleitoral ainda precisa definir a situação definitiva de seu registro.
Michelle Bolsonaro também saiu em defesa de Deltan
A disputa judicial provocou manifestações de apoio de outras lideranças políticas.
Michelle Bolsonaro, eleita senadora pelo Distrito Federal no mesmo pleito, divulgou um vídeo em defesa de Deltan depois da decisão que havia barrado sua candidatura.
A ex-primeira-dama pediu que o ex-procurador não desanimasse e afirmou apoio à sua candidatura.
O episódio aproximou ainda mais a disputa do Paraná do cenário nacional, especialmente porque Deltan é um dos nomes mais conhecidos da política brasileira ligados à Lava Jato.
Filipe Barros e a relação com Jair Bolsonaro
Durante a campanha, Filipe Barros também apresentou uma forte identificação política com Jair Bolsonaro.
Segundo a cobertura eleitoral, o candidato se colocou como o nome escolhido pelo ex-presidente para atuar no Paraná.
Essa ligação foi utilizada como elemento central de sua campanha e ajudou a definir o posicionamento político apresentado aos eleitores.
Barros também assumiu uma agenda voltada a temas como segurança pública, combate ao crime organizado e infraestrutura.
No Senado, terá agora uma estrutura institucional diferente daquela encontrada na Câmara dos Deputados.
Dois nomes, duas trajetórias
Filipe Barros e Deltan Dallagnol chegam ao Senado por caminhos diferentes.
Barros construiu sua carreira dentro da política tradicional: começou como vereador em Londrina, chegou à Câmara dos Deputados e agora alcança o Senado.
Deltan, por outro lado, tornou-se conhecido nacionalmente como procurador da República e coordenador da Lava Jato, entrou na política eleitoral em 2022, teve o mandato de deputado cassado em 2023 e agora retorna ao Congresso.
A eleição de ambos mostra como diferentes trajetórias políticas podem convergir em uma mesma disputa.
O Paraná escolhe dois novos senadores
A renovação de 2026 também altera significativamente a representação paranaense no Senado.
Filipe Barros e Deltan Dallagnol ocuparão as duas cadeiras que estavam em disputa e terão oito anos de mandato.
O Senado é composto por 81 parlamentares, e cada estado possui três representantes. Como em 2026 foram renovados dois terços da Casa, dois senadores foram escolhidos em cada unidade da Federação.
A partir de fevereiro de 2027, Barros e Deltan terão de transformar a votação recebida em atuação legislativa.
O mérito eleitoral de Filipe Barros
No caso de Filipe Barros, o resultado consolida uma trajetória que começou na política municipal e avançou para a Câmara dos Deputados.
Sua votação superior a 3,1 milhões de votos garantiu a primeira colocação entre os candidatos ao Senado no Paraná.
O novo senador terá entre suas principais tarefas representar os interesses do estado, participar das comissões, votar projetos de lei e propostas de emenda à Constituição e atuar nas discussões nacionais que passarão pelo Senado.
O mérito eleitoral de Deltan Dallagnol
A vitória de Deltan tem uma característica própria.
O candidato chegou ao dia da votação enfrentando uma decisão judicial que ameaçava diretamente sua candidatura.
Ainda assim, obteve quase 2,9 milhões de votos e terminou em segundo lugar.
O resultado confirma que seu nome manteve capacidade de mobilização eleitoral no Paraná, apesar das sucessivas controvérsias jurídicas que acompanharam sua candidatura.
A questão agora passa a ser jurídica: o TSE ainda terá de analisar definitivamente o registro.
Um resultado que vai além das urnas
A eleição de Filipe Barros e Deltan Dallagnol representa uma mudança importante na bancada paranaense do Senado.
De um lado, um deputado de 35 anos que chega à Casa Alta depois de oito anos na Câmara.
Do outro, um ex-procurador da República que retorna ao Congresso após uma trajetória marcada pela Lava Jato, pela eleição para deputado, pela cassação do mandato e, agora, por uma nova vitória eleitoral.
O Paraná escolheu dois novos representantes.
Mas, no caso de Deltan, a história ainda terá um capítulo decisivo nos tribunais.
As urnas já deram seu resultado: Filipe Barros foi o mais votado e Deltan Dallagnol ficou com a segunda vaga. Agora, caberá ao Tribunal Superior Eleitoral definir a situação jurídica definitiva da candidatura de Dallagnol antes de sua posse prevista para fevereiro de 2027.