Caso Banco Master: Edson Fachin mantém prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e rejeita pedido de prisão domiciliar

Caso Banco Master: Edson Fachin mantém prisão de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, e rejeita pedido de prisão domiciliar

Empresário é apontado pela Polícia Federal como operador financeiro do grupo investigado por fraudes envolvendo o Banco Master e suposta estrutura de intimidação chamada “A Turma”. Defesa alegou problemas de saúde da esposa e nascimento de filhos gêmeos, mas presidente do STF considerou que permanecem os motivos para a manutenção da prisão.

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, decidiu na quinta-feira, 5 de novembro de 2026, manter a prisão preventiva do empresário e advogado Fabiano Campos Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master. O ministro também rejeitou o pedido de substituição da prisão por domiciliar humanitária e os argumentos apresentados pela defesa para revogar a medida.

Zettel está preso desde março de 2026 e permanece no Complexo Penal da Penitenciária II de Potim, no interior de São Paulo. Ele é investigado na Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal, que apura suspeitas de fraudes financeiras envolvendo o Banco Master e pessoas ligadas à administração da instituição.

A decisão de Fachin acompanhou a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR), que se posicionou contra a soltura. Para o ministro, continuam presentes os fundamentos que justificaram a prisão preventiva, especialmente a necessidade de preservar a ordem pública, assegurar a aplicação da lei penal e evitar interferências na produção de provas.

Na decisão, Fachin considerou que a liberdade de Zettel poderia comprometer o andamento das investigações e favorecer a continuidade de práticas criminosas investigadas. O magistrado também ressaltou que os indícios apontam uma participação relevante do empresário na estrutura financeira do grupo atribuído a Daniel Vorcaro.

Polícia Federal aponta Zettel como operador financeiro

Um dos pontos mais graves da investigação envolve a suposta função desempenhada por Fabiano Zettel dentro da estrutura ligada a Vorcaro.

Segundo os investigadores, ele seria responsável por intermediar pagamentos, organizar transferências financeiras e viabilizar documentos contratuais utilizados para dar aparência de legalidade a determinados repasses.

A Polícia Federal também aponta que Zettel teria participado da operacionalização de pagamentos destinados a integrantes de um grupo conhecido como “A Turma”.

De acordo com a investigação, esse núcleo seria responsável por atividades de intimidação, coação, espionagem e obtenção de informações contra pessoas consideradas desafetos de Daniel Vorcaro, incluindo concorrentes empresariais, jornalistas e ex-funcionários.

Os investigadores atribuem ao grupo a utilização de métodos destinados a pressionar pessoas e remover conteúdos da internet que poderiam prejudicar os interesses do banqueiro.

Outro episódio mencionado envolve uma proposta de contratação considerada simulada pela investigação, encaminhada ao servidor do Banco Central Bellini Santana. A suspeita é que o documento teria sido utilizado para justificar pagamentos relacionados a uma suposta prestação de serviços de assessoria a Vorcaro.

Fachin destacou que os elementos reunidos apontam para uma atuação de Zettel na intermediação de pagamentos associados a atividades ilícitas e na elaboração de estratégias para viabilizar movimentações financeiras e documentos destinados a justificar os repasses.

É importante ressaltar que essas são suspeitas investigadas pela Polícia Federal, e não uma condenação definitiva de Fabiano Zettel.

Fabiano Zettel negou conhecer integrantes de “A Turma”

No mesmo dia da decisão de Fachin, Fabiano Zettel prestou depoimento e negou conhecer integrantes do grupo denominado “A Turma”.

Durante a oitiva, o empresário também afirmou estar preso havia meses e declarou que ainda não conhecia os filhos gêmeos, que nasceram enquanto ele permanecia custodiado.

A negativa de conhecimento do grupo contrasta com a interpretação da Polícia Federal sobre os registros e movimentações financeiras investigados. Para os investigadores, Zettel teria desempenhado papel importante na estrutura operacional e financeira do núcleo ligado a Vorcaro.

A defesa sustenta que as atividades empresariais de Zettel eram lícitas e que ele não tinha relação com a gestão do Banco Master. O empresário também nega a participação criminosa que lhe é atribuída.

Defesa alegou problemas de saúde da esposa e nascimento dos gêmeos

Outro ponto analisado por Fachin foi o pedido de prisão domiciliar humanitária.

Os advogados de Zettel alegaram que a situação familiar justificaria a substituição da prisão preventiva por domiciliar. Entre os argumentos apresentados estavam problemas de saúde da esposa do empresário e o nascimento recente dos filhos gêmeos.

A defesa também sustentou que a permanência de Zettel na prisão provocava dificuldades familiares e que seria necessário permitir sua presença em casa.

Fachin, entretanto, considerou que não foram apresentados elementos suficientes para demonstrar a inexistência de uma rede de apoio familiar capaz de prestar assistência à esposa e às crianças.

O ministro também avaliou que as circunstâncias familiares apresentadas não afastavam os riscos identificados na investigação. Por isso, entendeu que a prisão domiciliar seria insuficiente para garantir a preservação das provas e impedir possíveis interferências na apuração.

Prazo de 90 dias não significa soltura automática

A defesa também questionou a manutenção da prisão preventiva com fundamento no artigo 316 do Código de Processo Penal, que prevê a revisão periódica da necessidade da custódia a cada 90 dias.

Fachin esclareceu que o transcurso desse prazo não produz soltura automática. É necessário avaliar se continuam presentes os motivos que justificam a prisão.

O ministro observou que a prisão preventiva já havia sido referendada pela Segunda Turma do STF e que os elementos apresentados pela investigação continuavam indicando riscos concretos caso Zettel fosse colocado em liberdade.

O processo analisado é a Petição 15.556.

Os principais nomes envolvidos no caso

  • Daniel Vorcaro: ex-controlador do Banco Master e principal personagem da investigação sobre as supostas fraudes financeiras.
  • Fabiano Campos Zettel: cunhado de Vorcaro, advogado e empresário apontado pela PF como operador financeiro da organização investigada.
  • Edson Fachin: presidente do STF e responsável pela decisão que manteve a prisão preventiva de Zettel.
  • Bellini Santana: servidor do Banco Central mencionado em episódio envolvendo uma proposta de contratação considerada suspeita pela investigação.
  • Paulo Gonet: procurador-geral da República, cuja instituição se manifestou contra os pedidos de soltura.
  • Integrantes da chamada “A Turma”: pessoas investigadas por supostas atividades de intimidação, espionagem e coação relacionadas ao grupo de Vorcaro.

Caso Master continua cercado de questionamentos

A manutenção da prisão de Fabiano Zettel representa mais um capítulo das investigações sobre o Banco Master. O caso envolve suspeitas de fraudes financeiras, movimentações de recursos, possíveis contratos utilizados para justificar pagamentos e a existência de uma estrutura destinada a intimidar pessoas que contrariassem os interesses de Daniel Vorcaro.

A decisão de Edson Fachin demonstra que, na avaliação judicial apresentada nesse momento, os elementos reunidos ainda justificam a manutenção da prisão preventiva.

O avanço das investigações será fundamental para esclarecer a participação individual de cada envolvido, identificar a origem e o destino dos recursos e determinar se a estrutura financeira investigada também sustentava atividades de intimidação.

O parentesco entre Zettel e Vorcaro,

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