
Chanceler alemão provoca: “Um dia Lula vai admitir que a Alemanha é linda”
Após a troca de farpas sobre Belém e Berlim, Friedrich Merz tenta baixar a temperatura, mas mantém o tom afiado
Em meio ao clima diplomático azedo dos últimos dias, o chanceler alemão Friedrich Merz resolveu dar um toque de ironia ao enrosco com o presidente Lula. Durante uma coletiva ao lado do primeiro-ministro sueco, Ulf Kristersson, Merz afirmou que, cedo ou tarde, Lula vai “reconhecer que a Alemanha é um dos países mais bonitos do mundo”.
A declaração veio como resposta às falas recentes do presidente brasileiro, que fez questão de comparar — de forma nada discreta — Belém e Berlim, escolhendo a capital paraense como campeã de qualidade de vida.
Merz assegurou ainda que espera um encontro “tranquilo e amistoso” com Lula na próxima reunião do G20, na África do Sul. Segundo ele, a intenção é conversar sem rusgas, mesmo com o barulho causado pelas críticas mútuas.
A frase que incendiou o Itamaraty
O chanceler tinha comentado que, ao perguntar a jornalistas alemães quem gostaria de esticar a estadia em Belém após a COP30, ninguém levantou a mão. E completou dizendo que todos teriam voltado para a Alemanha “aliviados”.
As falas, naturalmente, bateram forte no governo brasileiro.
Lula reagiu no estilo Lula: disse que Merz “deveria ter ido a um boteco no Pará” para entender a “verdadeira qualidade” de Belém e completou que Berlim não chega nem a 10% do que a capital paraense oferece.
Berlim tenta esfriar a briga — mas sem pedido de desculpas
Tentando controlar o estrago, o porta-voz das Relações Exteriores da Alemanha, Stefan Kornelius, garantiu que Merz saiu do Brasil com “excelente impressão”.
Apesar disso, deixou claro que o chanceler não pretende pedir desculpas — afinal, segundo ele, Merz só expressou um comentário espontâneo.
No fim das contas, a crise parece conter mais espetáculo do que substância: Lula segue defendendo Belém como se fosse um oásis esquecido do mundo, e Merz insiste em vender a Alemanha como cartão-postal definitivo.
Resta ao G20 decidir se essa discussão rende mais algum capítulo — ou se termina com um aperto de mãos forçado e algumas fotos diplomáticas pouco inspiradas.