CPI do INSS mergulha no escândalo dos descontos ilegais enquanto o Planalto tenta blindar Messias

CPI do INSS mergulha no escândalo dos descontos ilegais enquanto o Planalto tenta blindar Messias

Sessão é marcada por tumulto, acusações e cobranças por responsabilidade em um esquema que lesou milhares de aposentados — e que segue sem explicações convincentes.

A CPI do INSS voltou aos holofotes nesta segunda-feira, e com motivos de sobra. Os parlamentares ouviram Sandro Temer de Oliveira, empresário apontado como peça-chave em um esquema vergonhoso de descontos ilegais aplicados contra aposentados e pensionistas — gente que trabalhou a vida inteira e hoje sofre com mensalidades fantasmas arrancadas sem dó.

Preso pela Polícia Federal na Operação Sem Desconto, Oliveira comandava duas associações em Sergipe, usadas, segundo as investigações, para sugar dinheiro de beneficiários vulneráveis e repassar os valores roubados para empresas laranjas. Um mecanismo sujo, silencioso e doloroso.

Também prestou depoimento o ex-coordenador-geral de pagamentos e benefícios do INSS, Jucimar Fonseca da Silva, chamado por conhecer de dentro o funcionamento do instituto — justamente para tentar esclarecer como um golpe desse tamanho passou pelo sistema sem que ninguém soasse o alarme.

Blindagem e atrasos: o caso Messias vira crise política

Enquanto os depoimentos avançavam, um ponto central da investigação foi novamente empurrado para frente: a convocação do advogado-geral da União, Jorge Messias, que deveria explicar a atuação da AGU diante das denúncias de descontos irregulares.

A base governista conseguiu adiar a votação, alegando “falta de consenso”. A verdade é que, com Messias tentando garantir apoio no Senado para sua indicação ao STF, qualquer exposição pública virou problema — e o Planalto se move para protegê-lo.

O clima ficou pesado. Bastaram poucos minutos após o anúncio da retirada de pauta para que o plenário descambasse para um bate-boca generalizado. Troca de acusações, ofensas e um presidente da comissão tentando, em vão, restabelecer a ordem.

A irritação só aumentou quando veio à tona que o Senado — já insatisfeito com o governo — recebeu a indicação ao STF sem qualquer aviso prévio. A escolha desagradou especialmente o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, que esperava ver Rodrigo Pacheco indicado. O Planalto conseguiu criar mais um foco de desgaste.

Alertas ignorados e suspeitas de omissão

O deputado Evair de Melo (PP-ES) lembrou que a própria AGU tinha sido alertada, em 2024, por procuradores da 4ª Região e pela Corregedoria-Geral sobre nove entidades envolvidas em aumentos explosivos de reclamações judiciais por cobranças indevidas.

Mesmo assim, nada foi feito.

Nenhuma medida eficaz, nenhum freio, nenhuma reação à altura do rombo. E a pergunta ecoa na CPI: por quê?

A oposição fala em omissão e favorecimento. A base diz que é perseguição política. A realidade? Enquanto os grupos trocam acusações, quem continua pagando a conta — literalmente — são os aposentados.

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