
Criminosos utilizam drone para lançar explosivo contra residência em Fortaleza; suspeito de integrar facção é preso
Um ataque com características inéditas chamou a atenção das forças de segurança do Ceará na manhã de sábado, 1º de agosto. Criminosos utilizaram um drone para lançar um artefato explosivo sobre uma residência localizada na região da Grande Messejana, em Fortaleza. A ação foi registrada em vídeo, que rapidamente passou a circular nas redes sociais, mostrando o momento em que o equipamento aéreo sobrevoa o imóvel e deixa cair o explosivo no quintal da casa.
A Polícia Militar do Ceará informou que um homem de 28 anos foi preso durante a operação policial e um adolescente de 14 anos foi conduzido à delegacia para prestar esclarecimentos. Conforme as investigações iniciais, o adulto é suspeito de integrar uma organização criminosa com atuação no estado.
Até o momento, as autoridades não divulgaram informações sobre pessoas feridas durante o ataque nem detalharam o tipo de explosivo utilizado.
Operação policial levou à prisão dos suspeitos
De acordo com a Polícia Militar, equipes realizavam diligências no bairro Jardim Violeta, em Fortaleza, desde a tarde da sexta-feira (31), após receberem informações produzidas pelos setores de inteligência das forças de segurança.
A ação contou com o apoio da Coordenadoria de Inteligência (Coin), da Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social (SSPDS), e da Coordenadoria de Inteligência (Cint), vinculada à Secretaria da Administração Penitenciária e Ressocialização do Estado do Ceará (SAP).
Durante a operação, os policiais localizaram o suspeito de 28 anos, contra quem já existia um mandado de prisão preventiva pelo crime de integrar organização criminosa.
Além da captura do investigado, os agentes apreenderam diversos materiais considerados relevantes para a investigação.
Material apreendido
Durante a operação, foram encontrados e apreendidos:
- Um kit completo de drone;
- Um artefato explosivo;
- Uma balaclava;
- Placas de veículos;
- Cinco balanças de precisão;
- Dois aparelhos celulares;
- Duas pistolas;
- 26 munições de calibre .40;
- 15 munições de calibre 9 mm;
- Quantidades de crack, maconha e haxixe;
- Dinheiro em espécie.
Todo o material foi encaminhado para perícia e deverá integrar o inquérito conduzido pela Polícia Civil.
Histórico criminal do suspeito
Segundo a Polícia Militar, o homem preso possui uma extensa ficha criminal.
Entre os antecedentes registrados estão:
- três passagens por tráfico de drogas;
- dois registros por homicídio;
- dois casos de associação para o tráfico;
- um registro por associação criminosa;
- um por roubo majorado;
- um por corrupção de menores;
- um por porte ilegal de arma de fogo;
- um por comercialização ilegal de arma de fogo;
- um crime contra a administração pública.
A identidade do investigado não foi divulgada oficialmente pelas autoridades.
Adolescente também foi conduzido
Além do adulto preso, um adolescente de 14 anos foi encaminhado à Delegacia da Criança e do Adolescente (DCA).
Conforme a Polícia Civil, foi instaurado um procedimento específico para apurar qual teria sido sua participação na ação criminosa. A investigação seguirá observando as normas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).
Crimes atribuídos ao adulto
Na Delegacia da Criança e do Adolescente, o homem foi autuado em flagrante pelos crimes de:
- posse ou porte ilegal de arma de fogo de uso restrito;
- tráfico ilícito de drogas;
- associação para o tráfico.
Além dessas acusações, ele continuará respondendo ao mandado de prisão preventiva relacionado à suspeita de integrar organização criminosa.
Uso de drones preocupa autoridades
O episódio reforça um fenômeno que tem despertado preocupação entre os órgãos de segurança pública: a utilização de drones por organizações criminosas.
Equipamentos originalmente desenvolvidos para atividades recreativas, comerciais ou de monitoramento passaram a ser empregados por grupos criminosos para realizar vigilância de áreas dominadas por facções, transportar drogas, armas e outros materiais ilícitos e, em casos mais graves, lançar artefatos explosivos contra imóveis ou rivais.
Segundo especialistas em segurança pública, esse tipo de tecnologia amplia o alcance operacional das organizações criminosas, dificulta a identificação imediata dos responsáveis e representa um novo desafio para as forças policiais, que vêm investindo em inteligência, monitoramento eletrônico e equipamentos capazes de detectar ou neutralizar aeronaves remotamente pilotadas utilizadas em atividades ilegais.
Investigações continuam
O caso está sob responsabilidade da 6ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, que busca esclarecer a motivação do ataque, identificar outros possíveis envolvidos e determinar a origem do explosivo e do drone utilizado na ação.
Os investigadores também analisam imagens, materiais apreendidos e informações produzidas pelos setores de inteligência para verificar se o ataque possui relação com disputas entre facções criminosas que atuam na capital cearense.
As autoridades informaram que as investigações permanecem em andamento e novas diligências poderão resultar na identificação e responsabilização de outros participantes do ataque.