
De apoiado pela direita a crítico do desperdício: Frota dá nova utilidade ao boicote bolsonarista
Ex-deputado, eleito no passado com ajuda do bolsonarismo, agora ironiza aliados antigos e transforma ataque à Havaianas em ação solidária
Alexandre Frota, que já surfou na onda da direita e chegou ao Congresso impulsionado pelo bolsonarismo, voltou aos holofotes — desta vez, em rota oposta aos antigos aliados. Em meio ao boicote promovido por apoiadores de Jair Bolsonaro contra a Havaianas, o ex-deputado decidiu transformar o protesto em algo inesperado: uma ação social.
Enquanto bolsonaristas passaram a descartar pares de chinelos da marca por discordarem de uma campanha estrelada por Fernanda Torres, Frota foi às redes sociais ironizar a reação e criticar o desperdício. Para ele, a briga ideológica perdeu completamente o senso de realidade diante da desigualdade social do país.
“Se é pé esquerdo ou direito, só quem precisa sabe. O que eu vejo é um desperdício enorme em um país cheio de gente passando necessidade”, escreveu Frota ao divulgar vídeos da iniciativa.
O ex-parlamentar contou que começou a recolher as Havaianas jogadas fora pelas ruas de São Paulo, decidido a dar um novo destino aos chinelos rejeitados por protesto político. Segundo ele, a ideia surgiu ao acompanhar a repercussão negativa da propaganda e perceber pessoas literalmente jogando dinheiro no lixo.
“No país da fome, da pobreza e da desigualdade, ver gente descartando calçado por birra política é um retrato triste. Resolvi parar, recolher tudo o que encontrasse e fazer algo útil”, afirmou.
Frota explicou que os chinelos serão lavados, reformados e doados a pessoas em situação de vulnerabilidade. Em tom simbólico, disse que pouco importa o debate sobre ideologia quando ainda há brasileiros andando descalços.
Até o momento, cerca de 30 pares já teriam sido recolhidos com a ajuda de sua equipe. Em clima de fim de ano, os chinelos higienizados ganharam bilhetes com mensagens de Natal antes de serem destinados à doação.
A cena não deixa de carregar uma ironia política: quem chegou ao poder com apoio da direita agora reaparece criticando excessos do mesmo grupo — e usando um boicote ideológico como palco para voltar à cena pública, desta vez defendendo solidariedade no lugar da guerra cultural.