Zema culpa Lula por ameaça de tarifa dos EUA e diz que Brasil paga preço por isolamento internacional

Zema culpa Lula por ameaça de tarifa dos EUA e diz que Brasil paga preço por isolamento internacional

Ex-governador afirma que política externa do governo petista afastou o país do Ocidente e agravou crise comercial com os Estados Unidos

O ex-governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), responsabilizou diretamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) pela ameaça dos Estados Unidos de aplicar tarifas de 25% sobre produtos brasileiros. Em declaração dada nesta terça-feira (2), durante coletiva de imprensa na Megaleite, em Belo Horizonte, Zema afirmou que o episódio escancara a “incompetência” do governo federal na condução das relações internacionais.

A fala ocorre em meio à escalada da tensão diplomática entre Brasília e Washington após o governo norte-americano concluir uma investigação comercial contra o Brasil. O relatório dos Estados Unidos aponta práticas consideradas prejudiciais aos interesses americanos e propõe medidas retaliatórias contra diversos produtos brasileiros.

“Quem perde é quem trabalha”, diz Zema

Ao comentar o tarifaço, Zema criticou duramente a política externa adotada pelo Palácio do Planalto e afirmou que o governo Lula escolheu se aproximar de regimes autoritários enquanto se afastava de parceiros históricos do Ocidente.

“Isso demonstra claramente a inoperância e a incompetência do governo Lula nas relações internacionais. O Brasil se aproximou de países autoritários e virou as costas para democracias ocidentais. O resultado está aí mais uma vez. Quem paga essa conta é quem produz, trabalha e gera emprego”, declarou.

O ex-governador citou países como Cuba e Irã ao defender que o Brasil deveria fortalecer relações com Estados Unidos e Europa em vez de ampliar alianças com governos considerados adversários do Ocidente.

Crise comercial aumenta pressão sobre o governo

A nova ofensiva comercial dos EUA gerou preocupação em setores estratégicos da economia brasileira, principalmente agronegócio, indústria e exportações. Embora as tarifas ainda dependam de negociações e etapas diplomáticas antes de entrarem oficialmente em vigor, empresários já demonstram temor sobre possíveis impactos no mercado.

O relatório americano questiona diversos pontos da política econômica brasileira, incluindo regras do comércio digital, proteção à propriedade intelectual, acesso ao mercado de etanol, combate ao desmatamento e até o funcionamento do Pix, sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central.

Nos bastidores, integrantes do governo Lula tentam conter o desgaste diplomático e minimizar os efeitos da crise. Já a oposição usa o episódio como prova de fragilidade internacional do atual governo.

Zema defende aproximação com Estados Unidos

Durante a coletiva, Zema reforçou que o Brasil precisa recuperar pontes com países ocidentais e voltar a construir relações comerciais mais sólidas com economias consideradas estratégicas.

“O Brasil é um país ocidental, com raízes cristãs e ligação histórica com Europa e Américas. Precisamos fortalecer essas relações e parar de alimentar conflitos ideológicos que só prejudicam nossa economia”, afirmou.

A declaração também amplia o tom político da disputa nacional em torno do tarifaço. Enquanto aliados de Lula acusam setores da direita de incentivarem pressões internacionais contra o Brasil, nomes da oposição sustentam que a crise é consequência direta da condução diplomática do governo petista.

Investigação dos EUA amplia tensão entre Brasília e Washington

A investigação comercial aberta pelos Estados Unidos foi baseada na chamada Seção 301 da Lei de Comércio de 1974, mecanismo utilizado pelo governo americano para reagir a práticas consideradas injustas ou discriminatórias contra empresas norte-americanas.

O documento divulgado nesta semana recomenda tarifas retaliatórias de 25% sobre diversos produtos brasileiros, embora itens estratégicos como carne bovina, café e minerais críticos possam ficar fora da lista final.

A crise ocorre em um momento delicado das relações entre os dois países e aumenta a pressão política sobre o governo Lula, que tenta evitar um desgaste econômico maior em meio às disputas comerciais e diplomáticas internacionais.

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