
Deputada do PL chama Lula de “corrupto de nove dedos” e acaba na mira da PGR
Júlia Zanatta é acusada de calúnia, difamação e propaganda eleitoral irregular após declaração polêmica em Santa Catarina
A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC) virou alvo de uma representação na Procuradoria-Geral da República (PGR) depois de atacar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante a entrega de uma viatura da Polícia Civil em Criciúma (SC). O pedido foi feito pelos deputados petistas Pedro Uczai e Ana Paula Lima, que exigem investigações nas áreas criminal, administrativa, eleitoral e disciplinar.
Na representação, os parlamentares sustentam que a deputada usou o ato oficial para autopromoção política e até para propaganda eleitoral antecipada, o que fere a Constituição e a legislação eleitoral. Segundo eles, o vídeo divulgado sobre a entrega da viatura teve claro tom de campanha, exaltando a imagem da própria Zanatta fora do período permitido.
O ataque a Lula
O episódio ganhou ainda mais peso porque, durante o evento, Zanatta declarou esperar que o veículo fosse usado “para prender o maior corrupto do Brasil, o nove dedos”. Para os petistas, a fala não é apenas um insulto, mas uma acusação direta de prática criminosa contra Lula.
Eles lembram que a imunidade parlamentar não é absoluta e que o Supremo Tribunal Federal já reconheceu que ofensas pessoais, sem relação com o mandato legislativo, configuram abuso de direito e podem gerar responsabilização.
Reações e defesa
Não é a primeira vez que Zanatta se envolve em polêmicas. Em agosto, ela já havia sido criticada por levar a filha bebê para uma ocupação no plenário da Câmara durante um protesto da oposição. Agora, diante da nova acusação, a deputada nega irregularidades e diz ser vítima de perseguição política.
“Não é autopromoção, é prestação de contas. A viatura foi comprada com dinheiro de emenda parlamentar, recurso dos catarinenses que volta em forma de segurança”, afirmou à imprensa. Para ela, o PT estaria tentando usar a Justiça como ferramenta para censurar adversários.
Seu marido, o advogado Guilherme Colombo, também saiu em defesa da parlamentar nas redes sociais. Em vídeo, acusou os petistas de seguirem a “velha cartilha” de tentar intimidar opositores. Ele ainda comparou gastos de parlamentares do PT com publicidade, alegando incoerência nas críticas contra Zanatta.
Apesar das justificativas, o caso agora está nas mãos da PGR, que deve decidir se abre ou não investigação formal contra a deputada.