Dino abre caminho para que Moraes recorra ao STF contra sanções impostas pelos EUA

Dino abre caminho para que Moraes recorra ao STF contra sanções impostas pelos EUA

Decisão do ministro permite que o colega questione, dentro do próprio Supremo, punições derivadas da Lei Magnitsky aplicadas pelo governo Trump.

O ministro Flávio Dino tomou nesta segunda-feira (18) uma decisão que pode mudar os rumos da batalha de Alexandre de Moraes contra as sanções impostas a ele nos Estados Unidos com base na Lei Magnitsky.

Ao analisar um caso ligado à tragédia de Mariana (MG) e a medidas determinadas pelo Reino Unido, Dino estabeleceu que qualquer cidadão brasileiro prejudicado por ato, sentença ou lei estrangeira pode recorrer diretamente ao Supremo Tribunal Federal (STF) — ou a outro órgão da Justiça nacional.

Na prática, a decisão abre espaço para que Moraes questione no STF os efeitos das punições financeiras impostas por Donald Trump, ao menos dentro do território brasileiro. Dino foi direto:
Transações, bloqueios de ativos, transferências para fora ou vindas do exterior, por determinação de Estado estrangeiro, precisam de autorização expressa desta Corte.

O alcance da medida, porém, tem limites. Sanções aplicadas fora do Brasil — como a retirada do visto de entrada nos EUA, que afetou oito dos onze ministros do STF — não podem ser revertidas por essa via judicial. Nesse ponto, Moraes e o próprio Dino seguem impedidos de pisar em solo americano. Apenas Luiz Fux, André Mendonça e Kassio Nunes Marques escaparam da restrição.

O entendimento foi firmado em uma arguição de descumprimento de preceito fundamental, tipo de ação cujo efeito costuma ser replicado em casos semelhantes. Ou seja: o precedente vale para Moraes, que agora tem a chance de usar o próprio STF como trincheira contra as sanções de Trump — ao menos no que diz respeito ao impacto em território nacional.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias
Tags