Do combate à fake news ao ataque à democracia: o ex-assessor que virou réu

Do combate à fake news ao ataque à democracia: o ex-assessor que virou réu

De guardião do sigilo a fornecedor de munição contra o sistema eleitoral, a queda foi rápida e barulhenta

Um ex-assessor do Tribunal Superior Eleitoral, que ocupava justamente o cargo de enfrentar a desinformação, agora aparece no centro de uma denúncia da Procuradoria-Geral da República. Acusado de vazar conversas internas e estratégicas, ele teria transformado informações sigilosas em combustível para ataques contra a Justiça Eleitoral e o sistema de votação.

O contraste é gritante: quem deveria proteger o processo democrático passou a alimentar a engrenagem que tenta descredibilizá-lo. Segundo a denúncia, não se trata apenas de vazamento de bastidores, mas de uma ação calculada para obstruir investigações, colaborar com redes de notícias falsas e até dar fôlego a iniciativas que pediam ruptura institucional.

O relatório da Polícia Federal é ainda mais incisivo. Aponta que o então assessor teria divulgado informações confidenciais até para a própria esposa, confessando ter passado dados sensíveis a um jornal. O objetivo, segundo os investigadores, seria “arranhar a imagem de ministros” e criar mais instabilidade num cenário político já inflamado.

Ironia das ironias: o homem que chefiava um gabinete contra a desinformação acabou acusado de se tornar parte ativa da fábrica de ataques à democracia. Uma espécie de guardião que, em vez de proteger o cofre, entregou as chaves a quem queria arrombá-lo.

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