
Lula Descobre o Óbvio: Brasil Não Quer Ser Apenas “Garimpo Premium” do Mundo
Em Moçambique, presidente faz discurso inflamado como se estivesse revelando uma grande novidade — enquanto posa de defensor do planeta e da indústria nacional.
Durante um evento empresarial em Maputo, Moçambique, Lula voltou a bater na mesma tecla de sempre: a de que o Brasil não deve ser apenas um fornecedor bruto de minerais estratégicos — aqueles que todo mundo quer, como lítio e cobalto. No discurso, ele fez questão de vender a ideia como se fosse um plano revolucionário recém-descoberto, ignorando o fato de que há décadas o país não consegue avançar na industrialização por falta justamente de… governo.
Com ar professoral, Lula lembrou aos empresários brasileiros e moçambicanos que a África possui reservas valiosas e que essa cooperação “é fundamental” para a tal transição verde. Disse até que o Brasil está prontinho para colaborar — como se estivesse oferecendo uma solução milagrosa para o planeta.
Depois, veio o grande momento do discurso: a revelação de que o Brasil não deveria se contentar em mandar minerais crus para outros países enriquecerem. Segundo Lula, se alguém quiser comprar, que venha montar fábrica aqui. É a velha promessa industrialista vestida de novidade, aquela que todo presidente recita, mas que nunca vira realidade fora das cerimônias.
Ele ainda aproveitou para alfinetar países ricos, afirmando que vender para Alemanha e Estados Unidos é complicado, mas que na África haveria “parceria real”. Na prática, repetiu a mesma narrativa de sempre sobre Sul Global, injustiças históricas e unilateralismos.
Lula também exaltou o convite do Brasil para a feira industrial de Hannover, em 2026. Disse que vai lá provar que a gasolina e o diesel brasileiros são os que menos poluem — num tom quase de vendedor de feira livre tentando convencer o freguês.
A viagem ao país africano faz parte das celebrações dos 50 anos de relações entre Brasil e Moçambique. No pacote do dia, Lula participou de reuniões, assinou acordos, discursou, tirou fotos — e continua na novela interminável dos títulos honoris causa, já que receberá mais um antes de voltar ao Brasil.
No fim, o discurso foi mais um daqueles momentos típicos de Lula: muita ambição no microfone, pouca mudança no mundo real. A ironia? Enquanto avisa que o Brasil não quer ser só exportador de minério bruto… o país continua fazendo exatamente isso.