
Donald Trump declara apoio à permanência de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos: “Ele pode ficar aqui o tempo que quiser”
Presidente americano afirma que senador brasileiro foi tratado de maneira injusta, critica o resultado das eleições no Brasil e garante que poderá permanecer em território americano pelo tempo que desejar; apesar de descartar encontro pessoal neste momento, Trump reafirma sua posição favorável à entrada de Flávio e de sua família nos Estados Unidos
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, voltou a falar publicamente sobre Flávio Nantes Bolsonaro, senador pelo Partido Liberal (PL-RJ) e candidato derrotado na eleição presidencial brasileira de 2026. Em declaração feita no sábado, 31 de outubro, durante uma festa de Halloween em sua residência particular de Mar-a-Lago, em Palm Beach, na Flórida, Trump afirmou que o parlamentar brasileiro poderá permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejar.
A declaração ganhou repercussão internacional porque ocorre poucos dias depois da chegada de Flávio ao território americano, acompanhado de sua esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas do casal, em meio a uma controvérsia envolvendo decisões judiciais brasileiras, passaportes e investigações.
Questionado por jornalistas sobre a possibilidade de encontrar pessoalmente o senador, Trump respondeu que não possui planos de realizar uma reunião neste momento. Entretanto, fez questão de destacar sua posição sobre a permanência do brasileiro.
“Não tenho planos de encontrá-lo, mas acho que ele foi tratado muito mal. Muito mal. Então, ele pode ficar aqui o tempo que quiser”, declarou o presidente americano.
A manifestação representa um sinal público de acolhimento político ao senador e à família Bolsonaro, embora não constitua, por si só, uma garantia migratória permanente ou uma decisão sobre as questões judiciais existentes no Brasil.
Trump critica tratamento recebido por Flávio Bolsonaro e questiona eleição brasileira
Durante a conversa com os jornalistas, Donald Trump também voltou a criticar o processo eleitoral brasileiro.
Ao comentar a derrota de Flávio Bolsonaro para Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o presidente americano classificou a eleição como uma vergonha, utilizando a expressão “a disgrace”.
“Na minha opinião, a eleição foi uma vergonha”, afirmou.
Trump também repetiu que considera que Flávio foi tratado de maneira inadequada, demonstrando insatisfação com a situação enfrentada pelo senador brasileiro.
É importante observar que o presidente americano não apresentou provas de fraude eleitoral ao fazer essa declaração. Observadores internacionais descreveram o processo como livre e justo. Portanto, sua avaliação deve ser entendida como uma manifestação política, e não como uma constatação comprovada de irregularidade nas urnas.
Mesmo sem anunciar uma reunião com Flávio, Trump deixou evidente que não pretende tratar a permanência do senador nos Estados Unidos como um problema político a ser resolvido por pressão externa.
O gesto de Trump: autorização para Flávio e sua família entrarem nos Estados Unidos
A posição do presidente americano não começou agora. Em 28 de outubro, quando questionado sobre a chegada de Flávio aos Estados Unidos, Trump confirmou que o governo americano havia autorizado sua entrada.
Na ocasião, afirmou que sabia da autorização concedida ao parlamentar e acrescentou que considerava injusto o tratamento recebido por ele e por sua família.
A decisão permitiu que Flávio, Fernanda e as filhas chegassem à Flórida, onde passaram a permanecer depois da saída do Brasil.
O episódio ganhou importância diplomática porque a família deixou o território brasileiro em meio a uma determinação judicial envolvendo a entrega dos passaportes do senador.
Nesse contexto, a autorização americana representou uma decisão administrativa e política relevante do governo Trump.
O mérito concreto da atuação do presidente americano, nesse episódio, foi ter confirmado publicamente que a entrada de Flávio e de seus familiares seria permitida, apesar da repercussão política e das críticas relacionadas à viagem.
A decisão, entretanto, não significa que Trump tenha assumido a responsabilidade pelas questões judiciais brasileiras ou garantido qualquer resultado nos processos envolvendo o senador.
Marco Rubio esclarece participação do governo americano na viagem
No mesmo sábado, o secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, também comentou a situação de Flávio Bolsonaro durante uma entrevista coletiva realizada em Atlanta, na Geórgia, durante um encontro de chanceleres do G20.
Rubio afirmou que o governo americano não participou diretamente das providências utilizadas pelo senador para deixar o Brasil e chegar aos Estados Unidos.
“Não facilitamos nada”, declarou ao ser questionado sobre uma eventual ajuda americana na viagem.
O secretário explicou que Flávio já possuía um visto anteriormente e que Donald Trump tomou a decisão de permitir sua entrada no país.
A declaração estabelece uma distinção importante: segundo Rubio, Washington não organizou diretamente a saída do parlamentar do Brasil, mas Trump decidiu autorizar sua entrada nos Estados Unidos.
Reportagens internacionais também mencionaram informações de que Jason Miller, assessor ligado ao governo Trump, teria ajudado a organizar a viagem. Essa participação, entretanto, não foi confirmada oficialmente pelo governo americano.
Flávio chegou a Miami acompanhado da esposa e das filhas
Flávio Bolsonaro chegou à região de Miami na quarta-feira, 28 de outubro, acompanhado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas.
A viagem ocorreu depois da derrota eleitoral de 25 de outubro, quando Lula venceu o segundo turno presidencial.
Antes de chegar aos Estados Unidos, o senador passou pela Argentina e pelo Equador.
A saída aconteceu em meio a questionamentos judiciais relacionados à entrega de seus passaportes e a investigações envolvendo suspeitas de corrupção, lavagem de dinheiro e questões tributárias. Flávio nega as acusações.
Segundo informações divulgadas pela Reuters, sua entrada nos Estados Unidos ocorreu mediante autorização condicional por razões humanitárias, modalidade conhecida como humanitarian parole, que normalmente possui duração limitada, em geral de até um ano.
Isso significa que a declaração de Trump sobre a possibilidade de Flávio permanecer pelo tempo que desejar não deve ser confundida com uma concessão automática de residência permanente ou com a eliminação das regras migratórias americanas.
A permanência depende das condições legais aplicáveis ao seu status migratório.
Trump não anuncia encontro, mas mantém manifestação pública de apoio
Apesar das declarações favoráveis, Donald Trump deixou claro que não pretende se encontrar com Flávio Bolsonaro neste momento.
A ausência de uma reunião não altera o conteúdo da declaração sobre a permanência do brasileiro nos Estados Unidos.
O presidente americano também não anunciou um compromisso de apoiar futuras ambições eleitorais do senador. Segundo informações divulgadas pela Reuters, não havia planos atuais de apoio político dessa natureza.
Portanto, existem duas questões distintas: Trump manifestou apoio à permanência de Flávio nos Estados Unidos, mas não anunciou uma reunião pessoal nem uma participação na reorganização política da direita brasileira.
Essa distinção é importante para compreender o alcance real da manifestação americana.
Relação entre Washington e Brasília também entra no debate
O episódio acontece em um momento de tensão nas relações entre os governos dos Estados Unidos e do Brasil.
Além das declarações de Trump sobre a eleição brasileira, a situação de Flávio Bolsonaro passou a integrar as conversas diplomáticas entre Washington e Brasília.
Marco Rubio conversou com o ministro das Relações Exteriores brasileiro, Mauro Vieira, durante o encontro do G20 em Atlanta. Os dois sinalizaram a intenção de voltar a conversar nas próximas semanas, inclusive durante uma reunião internacional na França.
O diálogo demonstra que, apesar das divergências envolvendo o caso Bolsonaro, os canais diplomáticos entre os dois países continuam funcionando.
A questão da permanência de Flávio nos Estados Unidos, entretanto, continua sendo acompanhada pelas autoridades brasileiras e americanas.
O significado político da declaração de Donald Trump
A manifestação de Donald Trump tem relevância porque demonstra que o presidente americano decidiu tornar pública sua posição sobre o tratamento recebido por Flávio Bolsonaro.
Ao afirmar que o senador pode permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejar, Trump envia uma mensagem de acolhimento ao parlamentar e à sua família.
Ao mesmo tempo, sua declaração de que não pretende realizar uma reunião demonstra que esse acolhimento não equivale necessariamente a uma aliança política formal ou a um compromisso de participação nas disputas brasileiras.
Para Flávio, a declaração representa um respaldo público de um dos principais líderes políticos internacionais e amplia a repercussão de sua situação fora do Brasil.
Para o governo americano, a autorização de entrada e a possibilidade de permanência precisam continuar obedecendo às regras migratórias dos Estados Unidos.
O episódio também reforça a dimensão internacional que a disputa política brasileira adquiriu depois das eleições de outubro.
Conclusão: Trump reafirma acolhimento a Flávio, enquanto senador permanece nos Estados Unidos
A declaração de Donald Trump encerra uma sequência de manifestações públicas sobre a situação de Flávio Bolsonaro desde sua chegada à Flórida.
O presidente americano não prometeu uma reunião, não anunciou apoio formal a uma futura candidatura e não apresentou provas de irregularidades na eleição brasileira. Mas fez questão de repetir que considera injusto o tratamento recebido pelo senador e que ele poderá permanecer nos Estados Unidos pelo tempo que desejar, respeitadas as condições migratórias aplicáveis.
O posicionamento representa um gesto político de acolhimento que merece ser registrado no contexto das relações entre os dois países.
Flávio Bolsonaro, por sua vez, continua no centro de uma disputa que envolve sua situação jurídica no Brasil, sua permanência nos Estados Unidos e o futuro de sua atuação política.
A frase de Trump foi direta e repercutiu internacionalmente: Flávio pode ficar nos Estados Unidos pelo tempo que quiser. Mais do que a possibilidade de um encontro entre os dois, a declaração colocou novamente em evidência a posição do presidente americano diante da situação enfrentada pelo senador brasileiro e por sua família.