
Depois da Ligação, os EUA Querem Papéis — e o Brasil Corre Atrás
Washington pede documentos sobre crime organizado logo após conversa entre Lula e Trump. Haddad confirma pedido enquanto o governo tenta parecer firme num tema que vive tratando com luvas de pelica.
O telefonema de 40 minutos entre Lula e Donald Trump mal esfriou, e a embaixada dos Estados Unidos já bateu à porta pedindo acesso a documentos sobre operações contra o crime organizado no Brasil. Quem confirmou foi o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, que explicou que os arquivos estão sendo traduzidos pela Receita Federal antes de serem enviados. Detalhes sobre quais investigações entraram na lista? Isso, Haddad não revelou — apenas garantiu que é cooperação oficial entre os países.
O pedido chega justamente no momento em que Washington intensifica sua pressão global contra redes criminosas e reforça ações militares no Caribe e no Pacífico. A parceria com o Brasil ganhou novo fôlego depois de Lula tentar mostrar serviço ao dizer a Trump que a estratégia deveria apostar em inteligência e rastreamento financeiro — aquela versão mais “pacífica”, que tenta evitar um clima de operação militar, especialmente depois de os EUA endurecerem o jogo na região da Venezuela.
Durante a conversa, Lula afirmou que o Brasil está disposto a trabalhar lado a lado no combate às facções, ao tráfico e à lavagem de dinheiro. O discurso segue a linha de que “não é preciso usar armas, basta inteligência” — uma frase que contrasta com a antiga hesitação do governo em tratar organizações criminosas com a firmeza que muitos esperam.
A ligação também serviu como uma tentativa de aliviar tensões criadas pelo tarifaço americano que atingiu produtos brasileiros. Embora a Casa Branca tenha retirado a sobretaxa de 40% sobre café, carne e frutas, ainda sobram pendências na lista que Lula insiste para que caiam.
Nos bastidores, auxiliares do Planalto tentam vender a narrativa de que essa cooperação policial prova que o Brasil tem estrutura para enfrentar o crime organizado — argumento usado para rebater quem cobra postura mais dura e quer ver facções classificadas como terroristas.