
Eduardo Bolsonaro terá interrogatório por videoconferência com Moraes no STF
Ex-deputado é réu por coação no processo que condenou Jair Bolsonaro e aliados pela trama do 8 de janeiro
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL) terá seu interrogatório no Supremo Tribunal Federal (STF) marcado para 14 de abril, às 14h, por videoconferência. A audiência foi determinada pelo ministro Alexandre de Moraes, responsável por conduzir o caso em que Eduardo é réu por coação no curso do processo.
O mandado foi publicado nesta terça-feira (31/3) e ocorre após o ex-deputado ser citado no Diário Oficial da União (DOU), mas não apresentar defesa. A citação pelo DOU é um recurso utilizado pela Justiça quando o endereço do réu é desconhecido, como no caso de Eduardo, que está residindo nos Estados Unidos desde fevereiro do ano passado.
Acusações e contexto
Eduardo Bolsonaro é acusado de tentar interferir na tramitação da Ação Penal 2.668, que resultou na condenação de Jair Bolsonaro e aliados pelo esquema golpista que culminou nos atentados de 8 de janeiro. Entre as ações atribuídas ao ex-deputado, estão articulações junto a autoridades americanas, incluindo pressão econômica sobre produtos brasileiros pelo governo de Donald Trump, e a tentativa de incluir o ministro Alexandre de Moraes em sanções previstas pela Lei Magnitsky.
Na segunda-feira (30/3), Eduardo se manifestou sobre outra decisão de Moraes, que estabeleceu prazo de 24 horas para que a defesa de Jair Bolsonaro explicasse um vídeo em que Eduardo afirma que mostraria ao pai imagens de sua participação na Conferência da Ação Política Conservadora (CPAC), realizada no Texas em 28 de março. Na ocasião, o ex-deputado afirmou que não recuaria em suas ações nos Estados Unidos.
Próximos passos
Até o momento, Eduardo Bolsonaro ainda não se pronunciou sobre a decisão de sua audiência no STF. A videoconferência será uma etapa crucial para a investigação da atuação do ex-deputado no processo que investiga a tentativa de golpe e os ataques às instituições democráticas do país.
O caso reforça a atenção do Supremo e da sociedade sobre tentativas de coação e interferência internacional em processos judiciais brasileiros, em especial relacionados aos eventos do dia 8 de janeiro.