
MPF determina investigação contra Fabiana Bolsonaro por racismo e transfobia
Deputada estadual é alvo de inquérito após prática de blackface e declarações que atacam mulheres trans e a população negra
O Ministério Público Federal (MPF) determinou a abertura de um inquérito para investigar a deputada estadual Fabiana Bolsonaro (PL-SP) por possíveis crimes de racismo e transfobia. A decisão se baseia em um episódio ocorrido em 18 de março, durante um discurso na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp), quando a parlamentar realizou o chamado blackface, pintando o rosto e partes do corpo para criticar a deputada federal Erika Hilton (PSol).
O despacho, assinado pelo procurador Michel Francois Frizul Havrenne e publicado em 27 de março, encaminhou o caso para apuração da Polícia Federal (PF). A investigação visa apurar não apenas a conduta individual, mas também os impactos coletivos de uma ação que reforça estereótipos racistas e transfóbicos.
Atitude repudiável na tribuna
Durante a sessão da Alesp, Fabiana Bolsonaro afirmou que realizaria um “experimento social”, enquanto passava tinta sobre a própria pele, alegando que, como mulher branca, não poderia representar a população negra. A parlamentar criticou ainda a eleição de Erika Hilton como presidente da Comissão dos Direitos da Mulher, questionando a legitimidade de mulheres trans ocuparem cargos de representação política.
Além disso, Fabiana fez declarações sobre a participação de mulheres trans em esportes femininos, reforçando uma narrativa excludente e discriminatória.
Representação no Conselho de Ética
A deputada Beth Sahão (PT) apresentou representação contra Fabiana Bolsonaro no Conselho de Ética, denunciando a prática de racismo e transfobia. “Ela destilou todo seu racismo e sua transfobia durante sua fala, e ambas as atitudes configuram crimes. Naturalizar o racismo e a transfobia é um absurdo, é inaceitável”, afirmou. Segundo Beth, outras parlamentares assinaram a representação, reforçando a indignação coletiva.
O inquérito também busca apurar dano moral coletivo, considerando que a conduta da deputada atinge grupos inteiros, como pessoas negras, mulheres e pessoas trans.
Defesa da deputada
Em nota, a defesa de Fabiana Bolsonaro negou a prática de blackface e classificou a acusação como uma tentativa de silenciar o debate. Segundo o texto, a parlamentar teria buscado expressar respeito às minorias e não teria feito piadas ou deboches sobre a população negra ou trans. “Respeito quem é negro, quem é trans, quem é o que quiser ser. Que cada um assuma, com dignidade, seu lugar na sociedade, com liberdade e respeito”, declarou.
Contexto e repercussão
O caso reforça o debate sobre a responsabilidade de representantes públicos em combater o racismo e a transfobia. Especialistas e líderes parlamentares destacam que condutas desse tipo não podem ser naturalizadas, pois têm potencial de perpetuar discriminação e prejudicar grupos historicamente marginalizados.