
Em Seul, Lula sela acordos estratégicos e mira o futuro da tecnologia brasileira
Brasil e Coreia do Sul avançam em cooperação sobre minerais críticos, inteligência artificial e comércio internacional
Durante visita oficial a Seul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva firmou uma série de acordos com o governo da Coreia do Sul, ampliando a cooperação entre os dois países em áreas consideradas decisivas para a economia global, como minerais críticos e inteligência artificial. O encontro marcou a primeira visita de Estado de um líder brasileiro ao país asiático em mais de duas décadas.
Ao lado do presidente sul-coreano Lee Jae Myung, Lula anunciou que Brasil e Coreia decidiram elevar o relacionamento bilateral ao status de “parceria estratégica”. A proposta é aprofundar laços não apenas na economia, mas também no comércio, no intercâmbio cultural e no setor de aviação.
— Este é um momento histórico, que representa um salto na relação entre nossos países — afirmou Lee, em declaração conjunta à imprensa.
Após a reunião de cúpula, foram assinados dez memorandos de entendimento. Entre os pontos centrais estão os minerais críticos, especialmente as terras raras, das quais o Brasil detém a segunda maior reserva do mundo, e o avanço em tecnologias de ponta. Do lado coreano, entram em cena gigantes da indústria global como Samsung Electronics e SK Hynix, referências mundiais na fabricação de semicondutores.
Lula destacou o interesse em atrair investimentos coreanos para a exploração e o processamento desses minerais estratégicos, além de buscar cooperação tecnológica para acelerar o desenvolvimento brasileiro, sobretudo no setor de chips — hoje considerado um dos gargalos da soberania industrial.
A passagem por Seul ocorre logo após a visita do presidente brasileiro à Índia, onde o país também firmou um acordo-base sobre minerais críticos, sinalizando uma ofensiva diplomática para posicionar o Brasil como fornecedor relevante nesse mercado altamente disputado.
O cenário internacional, porém, segue instável. Os novos acordos são anunciados em meio às incertezas provocadas por decisões da Suprema Corte dos Estados Unidos, que recentemente derrubou parte das tarifas impostas durante o governo de Donald Trump. Mesmo assim, Trump já acenou com a possibilidade de uma taxa global de 15%, mantendo a pressão sobre o comércio mundial.
Durante o encontro, Lee também aproveitou para pedir que Lula retome as negociações de um acordo comercial entre a Coreia do Sul e o Mercosul, bloco formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai. A proposta é destravar um entendimento que se arrasta há anos e pode ampliar o fluxo de comércio entre as duas regiões.
A agenda de Lula no país asiático inclui ainda participação em um fórum empresarial, reforçando o tom econômico da viagem. A última visita do presidente brasileiro à Coreia do Sul havia ocorrido em 2010, durante uma cúpula do G20 — agora, o retorno ganha contornos mais ambiciosos, com foco em tecnologia, investimentos e reposicionamento estratégico do Brasil no tabuleiro global.