Estatal federal é alvo de denúncia sobre contrato de R$ 35 milhões envolvendo bolsistas com vínculos políticos

Estatal federal é alvo de denúncia sobre contrato de R$ 35 milhões envolvendo bolsistas com vínculos políticos

Reportagem aponta que convênio entre a PortosRio e a UFRJ teria beneficiado centenas de pessoas ligadas a partidos, campanhas eleitorais e grupos políticos; empresa nega irregularidades e afirma que recursos seguem regras legais

Uma denúncia publicada pelo UOL aponta que a estatal federal PortosRio teria mantido, por meio de um convênio de R$ 35 milhões firmado com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma rede de bolsistas com ligações políticas no Rio de Janeiro. Segundo a reportagem, uma folha de pagamentos obtida pelo veículo revela a presença de 305 pessoas com vínculos com políticos, partidos, campanhas eleitorais e estruturas de apoio político.

A apuração afirma que entre os beneficiados estariam cabos eleitorais, candidatos que disputaram eleições anteriores, ex-servidores municipais, dirigentes partidários, filiados a siglas políticas, advogados ligados a grupos políticos e familiares de aliados. A reportagem também cita a participação de um profissional responsável pela criação de jingles eleitorais.

Convênio com a universidade

O contrato investigado envolve a PortosRio, empresa estatal federal responsável pela administração de portos no estado do Rio de Janeiro, e a Universidade Federal do Rio de Janeiro. O acordo, no valor de R$ 35 milhões, previa atividades relacionadas a projetos e bolsas vinculadas à universidade.

Segundo o levantamento divulgado, uma parcela dos pagamentos teria alcançado pessoas com histórico de atuação política ou ligação com grupos partidários.

A reportagem teve acesso a uma folha de pagamentos considerada sigilosa, no valor de R$ 8,9 milhões, que teria permitido identificar a dimensão da rede de beneficiários.

Questionamentos sobre possível uso político de recursos públicos

O caso levantou questionamentos sobre a utilização de recursos de uma empresa estatal em ano eleitoral.

Críticos apontam que a presença de pessoas com vínculos políticos entre os beneficiários pode indicar aparelhamento da estrutura pública para fins eleitorais. A discussão envolve o limite entre a contratação de profissionais com experiência técnica e a eventual utilização de estruturas financiadas pelo Estado para beneficiar grupos políticos.

A reportagem, porém, apresenta os vínculos políticos identificados, mas as possíveis irregularidades precisam ser analisadas por órgãos de controle e investigação competentes.

Defesa da PortosRio

A PortosRio afirmou ao UOL que não realizou contratos individuais com os bolsistas, mas sim um convênio institucional com a UFRJ. A estatal declarou que a acusação de que teria contratado uma “rede de cabos eleitorais” não corresponde à natureza formal do instrumento firmado.

A empresa afirmou ainda que está comprometida com a correta aplicação dos recursos públicos e que segue as normas administrativas e legais aplicáveis aos contratos e convênios.

Repercussão política

O episódio ocorre em um momento de forte disputa política nacional, com a aproximação das eleições de 2026 e aumento das críticas entre governo e oposição.

A oposição deve usar o caso para questionar a gestão de estatais e cobrar explicações sobre critérios de seleção de beneficiários de contratos públicos.

Já o governo e seus aliados defendem que convênios com universidades são instrumentos comuns para desenvolvimento de projetos e formação de profissionais, e que qualquer irregularidade deve ser comprovada por investigações formais.

Próximos passos

O caso poderá ser analisado por órgãos de fiscalização, como Tribunal de Contas da União (TCU), Controladoria-Geral da União (CGU) ou Ministério Público, caso sejam apresentados indícios de irregularidades.

A principal questão a ser esclarecida é se os pagamentos realizados pela estatal seguiram exclusivamente critérios técnicos e administrativos ou se houve favorecimento político na escolha dos participantes do programa.

A PortosRio mantém a posição de que o convênio foi regular e que os recursos foram aplicados conforme as regras estabelecidas.

Fonte principal: reportagem do UOL sobre o contrato da PortosRio com a UFRJ.

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