Ex-assessor acusa Moraes de forjar documento em operação contra empresários bolsonaristas

Ex-assessor acusa Moraes de forjar documento em operação contra empresários bolsonaristas

Eduardo Tagliaferro afirma que laudos usados pelo ministro do STF foram produzidos fora do rito processual, com apoio do procurador-geral

O ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes, Eduardo Tagliaferro, declarou que relatórios apresentados como base para uma operação contra empresários bolsonaristas em agosto de 2022 teriam sido forjados pelo próprio ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Segundo Tagliaferro, os documentos foram retrodatados para dar aparência de legitimidade à ação, que inicialmente se apoiava apenas em uma reportagem jornalística.

Durante audiência na Comissão de Segurança Pública do Senado nesta terça-feira (2/9), o ex-diretor do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) mostrou prints e documentos que indicariam que Moraes não tinha acesso às mensagens privadas dos empresários na época, e que o laudo técnico usado na operação só foi produzido dias depois, com a data alterada.

As conversas privadas, tornadas públicas pelo site Metrópoles, traziam declarações de empresários sobre cenários políticos, mas eles negam qualquer intenção golpista. Tagliaferro afirmou que os relatórios foram elaborados por ele a pedido do gabinete do ministro, após a operação, e que houve atuação irregular da Procuradoria-Geral da República, liderada por Paulo Gonet na época, fora do rito processual.

Reportagens anteriores da Folha de S.Paulo revelaram que Moraes teria usado o setor de combate à desinformação do TSE como extensão investigativa de seu gabinete no STF, ultrapassando funções que cabem oficialmente à Polícia Federal e à PGR. Mais de 6 gigabytes de mensagens e arquivos de WhatsApp de assessores, incluindo Tagliaferro e Airton Vieira, foram analisados como prova dessas práticas.

A sessão do Senado, presidida por Flávio Bolsonaro, coincidiu com o primeiro dia do julgamento sobre a trama golpista do governo Bolsonaro no STF. Flávio anunciou que enviará toda a documentação ao presidente do Supremo, Luís Roberto Barroso, e também ao ex-presidente dos EUA, Donald Trump, em meio a pressões internacionais sobre o julgamento.

Até a publicação desta reportagem, as assessorias de Moraes e de Gonet não haviam se manifestado sobre as acusações apresentadas.

Compartilhe nas suas redes sociais
Categorias