Ex-chefe de gabinete de Lula deixa campanha após repercussão de empréstimo com empresária investigada

Ex-chefe de gabinete de Lula deixa campanha após repercussão de empréstimo com empresária investigada

Marco Aurélio Ribeiro, conhecido como Marcola, afirma que decisão é política e tem como objetivo preservar a campanha presidencial e evitar disputas internas no PT

Brasília — O ex-chefe de gabinete do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola, anunciou nesta quarta-feira (5) que deixará a equipe da campanha presidencial à reeleição. A decisão ocorre após a divulgação de informações sobre um empréstimo pessoal de R$ 249 mil recebido da empresária Roberta Luchsinger, investigada pela Polícia Federal em apurações sobre suposto tráfico de influência.

Segundo pessoas ligadas ao Partido dos Trabalhadores, Marcola comunicou sua decisão ao presidente nacional da legenda, Edinho Silva, e posteriormente ao próprio presidente Lula. De acordo com relatos de integrantes do partido, o ex-chefe de gabinete afirmou que sua saída não decorre de qualquer determinação judicial, mas de uma avaliação exclusivamente política.

O objetivo, segundo ele, é evitar que sua permanência na coordenação da campanha seja utilizada como instrumento de ataques políticos, disputas internas ou críticas da oposição durante o período eleitoral.

Decisão busca preservar a campanha

Aliados afirmam que Marcola sempre manteve perfil discreto e considera que sua saída é a melhor forma de evitar desgastes para a candidatura de Lula.

Mesmo diante da decisão, dirigentes do PT tentaram convencê-lo a permanecer na equipe. Pessoas próximas às negociações relataram, porém, que o ex-assessor demonstrou estar decidido a deixar o cargo.

Marcola ocupou a chefia de gabinete da Presidência desde o início do atual mandato e havia deixado recentemente a função para integrar a coordenação política da campanha de reeleição.

Empréstimo entrou na mira da investigação

A controvérsia surgiu após a Polícia Federal identificar uma transferência financeira realizada por Roberta Luchsinger para Marcola durante a análise de dados obtidos no âmbito da Operação Sem Desconto.

A empresária é investigada por suspeitas de atuar em esquemas de tráfico de influência junto ao governo federal e mantém relação de amizade com Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho mais velho do presidente.

Em nota divulgada anteriormente, Marcola confirmou ter recebido R$ 249 mil da empresária, afirmando que o valor correspondia a um empréstimo pessoal realizado em caráter privado e posteriormente quitado por meio de transferência bancária.

Segundo ele, toda a movimentação possui documentação comprobatória.

Polícia Federal amplia investigações

As investigações conduzidas pela Polícia Federal analisam possíveis relações entre empresários, intermediários e agentes públicos.

Entre as hipóteses examinadas está a possibilidade de pagamentos terem sido utilizados para facilitar acesso a órgãos do governo federal.

As apurações envolvem diferentes frentes de investigação, incluindo suspeitas relacionadas ao Ministério da Saúde, ao Palácio do Planalto e à Dataprev.

Os procedimentos foram encaminhados ao Supremo Tribunal Federal (STF), onde tramitam sob relatoria dos ministros André Mendonça e Flávio Dino, responsáveis pela análise dos pedidos de abertura de inquérito apresentados pela Polícia Federal.

Até o momento, não há decisão judicial definitiva sobre as investigações, que permanecem em andamento.

Nota de Marcola

Ao anunciar sua saída da campanha, Marcola reafirmou que sempre conduziu sua atuação pública pautado pela legalidade e pela transparência.

“Sempre pautei minha atuação pública pela ética, compromisso e transparência. A quem apresenta especulações e ilações, respondo com fatos, documentos e com minha inteira disposição de colaborar com a Justiça”, declarou.

Repercussão política

A saída de Marcola ocorre em meio ao período de intensificação da campanha eleitoral e busca reduzir impactos políticos decorrentes das investigações em andamento.

Enquanto a oposição cobra esclarecimentos sobre as relações entre empresários investigados e integrantes do governo, aliados do presidente Lula afirmam que a decisão demonstra preocupação em preservar a campanha e evitar novos desgastes durante o processo eleitoral.

O caso continua sendo acompanhado pela Polícia Federal e pelo Supremo Tribunal Federal, enquanto a defesa de Marcola sustenta que a operação financeira teve natureza exclusivamente privada e que todos os valores foram devidamente restituídos.

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