
Ex-vereador é condenado a 34 anos por matar grávida no interior da Bahia
Beatriz Pires, mãe de um menino de 2 anos, desapareceu grávida de seis meses; corpo nunca foi encontrado
O ex-vereador Valdnei da Silva Caires, conhecido como Bô, foi condenado a 34 anos e 24 dias de prisão pelo assassinato de Beatriz Pires da Silva, de 25 anos, grávida de seis meses à época do crime, ocorrido em 2023 em Barra da Estiva, no sudoeste da Bahia. O corpo da vítima jamais foi localizado.
O Tribunal do Júri de Brumado (BA) determinou a pena após comprovar que Valdnei cometeu homicídio qualificado por motivo fútil, feminicídio com agravante de gestante e ocultação de cadáver. A sentença também estabeleceu uma indenização mínima de 100 salários-mínimos à mãe de Beatriz, Célia Pires, por danos morais.
Segundo as investigações, Beatriz mantinha um relacionamento amoroso com o então vereador. Ela foi vista pela última vez em 11 de janeiro de 2023, entrando em um carro ligado ao Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Barra da Estiva, veículo frequentemente utilizado por Valdnei. Pouco antes do desaparecimento, Beatriz confidenciou à mãe que faria uma viagem com o pai do bebê, mas nunca revelou sua identidade.
Provas apresentadas no julgamento incluíram vídeos da vítima entrando no veículo do réu, manchas de sangue encontradas no carro e registros que conectavam o celular de Beatriz ao Wi-Fi do sindicato, dois dias após seu desaparecimento.
Durante o processo, a polícia concluiu que o crime pode ter sido motivado pelo receio do político de ter sua imagem abalada caso Beatriz revelasse que ele era o pai do bebê. Valdnei foi preso preventivamente em junho de 2023 e teve seu mandato cassado pela Câmara Municipal de Barra da Estiva.
A mãe de Beatriz também relatou que a filha havia sido pressionada a interromper a gestação do segundo filho, reforçando a gravidade do contexto em que o crime ocorreu.
Valdnei, de 56 anos, iniciou sua carreira política em 2008 e exerceu mandatos de vereador pelo PCdoB e, posteriormente, pelo Progressistas (PP). Ao longo de sua trajetória, acumulou patrimônio significativo, incluindo fazendas e veículos.
O caso chocou a comunidade local e permanece como um alerta sobre violência contra mulheres e gestantes, além da necessidade de proteção e justiça para vítimas de crimes cometidos por pessoas em posições de poder.