
Fachin reúne ministros do TSE em meio ao temor de crise no STF chegar às eleições
Presidente do STF conversa com Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli diante do aumento das divergências internas na Corte e da preocupação com possíveis reflexos sobre o TSE
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, reuniu-se nesta segunda-feira (28) com os ministros Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Dias Toffoli, que integram o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), em meio à preocupação de que a crise interna do Supremo possa atingir a condução da Justiça Eleitoral às vésperas do primeiro turno das eleições de 2026. A reunião foi noticiada pelo Metrópoles e por A Tarde.
O encontro ocorre a poucos dias da votação de 4 de outubro e depois de uma sequência de confrontos públicos e divergências entre ministros do STF envolvendo, principalmente, o caso Banco Master, a atuação do ministro André Mendonça, Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e decisões com possíveis reflexos eleitorais.
Segundo o Metrópoles, Fachin reuniu especificamente os três ministros que, além de integrarem o STF, compõem o plenário do TSE. A preocupação relatada é preservar a governança e evitar que os conflitos existentes no Supremo comprometam o funcionamento da Justiça Eleitoral durante o período mais sensível do calendário eleitoral.
Fachin, Nunes Marques, Mendonça e Toffoli
A reunião colocou frente a frente quatro ministros com posições e funções importantes no sistema eleitoral.
Edson Fachin é o presidente do STF e exerce papel de coordenação administrativa da Corte.
Kassio Nunes Marques preside atualmente o TSE e, portanto, está diretamente responsável pela condução da Justiça Eleitoral durante as eleições de 2026.
André Mendonça ocupa a vice-presidência do TSE e é também relator de processos relacionados ao caso Banco Master no STF.
Dias Toffoli integra o TSE e o Supremo.
O fato de os quatro ministros participarem da reunião dá dimensão institucional ao encontro: não se trata apenas de uma discussão interna do STF, mas de uma conversa envolvendo a composição que estará diretamente envolvida na condução do processo eleitoral.
O caso Nossa Senhora Aparecida
Um dos episódios que aumentou a tensão entre STF e TSE envolve uma decisão de Flávio Dino relacionada a publicações sobre Nossa Senhora Aparecida e o candidato presidencial Flávio Bolsonaro (PL).
André Mendonça havia determinado a retirada de conteúdos relacionados ao assunto. Posteriormente, Flávio Dino anulou a decisão e determinou o restabelecimento das publicações, após recurso apresentado pelo humorista Antonio Tabet.
Segundo a decisão de Dino, não havia elementos suficientes para justificar a retirada dos conteúdos das redes sociais. O episódio colocou em lados diferentes dois ministros do STF que também possuem funções na Justiça Eleitoral: Mendonça e Dino.
A controvérsia ganhou dimensão eleitoral porque as publicações estavam relacionadas a Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência, e ocorreram durante a reta final da campanha.
É importante distinguir, porém, uma questão jurídica de uma conclusão política: a decisão de Dino de restabelecer as publicações não significa, por si só, que o ministro tenha considerado verdadeira a informação divulgada sobre Flávio Bolsonaro. O fundamento divulgado estava relacionado à ausência de elementos suficientes para justificar a remoção do conteúdo.
A crise envolvendo Banco Master
O encontro também acontece em meio à crise provocada pelo caso Banco Master.
O empresário Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, aparece no centro das investigações e de mensagens que levaram o STF a discutir a atuação do ministro Alexandre de Moraes.
O caso provocou um confronto entre ministros da Corte, especialmente depois que André Mendonça passou a relatar questões relacionadas ao episódio.
Em 15 de setembro, o plenário do STF discutiu uma questão de ordem sobre a possibilidade de investigação envolvendo Moraes e sobre a relação das petições referentes a Moraes e Mendonça. Fachin e Cármen Lúcia acompanharam a posição de Mendonça em determinado ponto da discussão, enquanto Gilmar Mendes, Cristiano Zanin e Moraes votaram em sentido contrário. Flávio Dino pediu vista, e Nunes Marques e Toffoli se declararam impedidos.
A sessão expôs uma divisão incomum entre integrantes da Corte.
Gilmar Mendes e as críticas a Mendonça
O decano do STF, Gilmar Mendes, tornou-se um dos principais críticos da atuação de André Mendonça no caso Banco Master.
Gilmar acusou Mendonça de utilizar o processo com finalidade político-eleitoral. Em manifestações públicas, relacionou a atuação do relator ao cenário eleitoral e à candidatura de Flávio Bolsonaro. A acusação é de Gilmar Mendes e não constitui uma conclusão institucional do STF.
Mendonça, por sua vez, contestou as críticas e defendeu a regularidade de sua atuação.
A disputa entre os dois ministros chegou ao plenário e às redes sociais, aumentando a preocupação de que novos julgamentos pudessem ser utilizados para prolongar os confrontos internos.
Em setembro, Fachin chegou a cancelar uma sessão do STF em meio ao temor de novos embates entre os ministros. Segundo a Folha, havia preocupação de que Gilmar voltasse a fazer críticas públicas a Mendonça durante a sessão.
A preocupação com o TSE
É justamente nesse contexto que a reunião desta segunda-feira ganha importância.
O receio relatado pelas reportagens é que os conflitos existentes no STF ultrapassem os processos internos da Corte e afetem a governança do TSE.
O Tribunal Superior Eleitoral será responsável por conduzir a eleição presidencial, incluindo julgamentos de natureza eleitoral, propaganda, direitos de resposta e eventuais questionamentos relacionados ao processo.
Por isso, qualquer conflito entre ministros que também integram o TSE pode adquirir dimensão institucional maior durante a reta final da campanha.
O próprio Gilmar Mendes havia feito críticas públicas à necessidade de uma atuação apartidária e constitucional da Justiça Eleitoral. O ambiente de tensão, portanto, envolve não apenas o Banco Master, mas também a confiança na atuação das instituições eleitorais.
O calendário eleitoral aumenta a pressão
A reunião ocorre exatamente na semana do primeiro turno. A votação está marcada para domingo, 4 de outubro de 2026, o que significa que faltam apenas seis dias para os eleitores irem às urnas.
Nesse período, decisões judiciais envolvendo candidatos podem produzir efeitos imediatos sobre campanhas, propaganda e circulação de conteúdos nas redes sociais.
O caso de Flávio Bolsonaro e Nossa Senhora Aparecida é um exemplo de como uma decisão judicial envolvendo conteúdo de internet rapidamente ganhou dimensão eleitoral.
Ao mesmo tempo, o caso Banco Master colocou ministros do STF em posições divergentes e provocou acusações públicas sobre possíveis efeitos políticos de decisões judiciais.
Partes envolvidas
O episódio envolve diretamente Edson Fachin, presidente do STF; Kassio Nunes Marques, presidente do TSE; André Mendonça, vice-presidente do TSE e relator de questões ligadas ao Banco Master; e Dias Toffoli, integrante das duas Cortes.
Também aparecem no contexto da crise Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino, Luiz Fux, Cristiano Zanin e Cármen Lúcia, todos ministros do STF que participaram, em diferentes momentos, das decisões e discussões relacionadas ao caso Master.
Fora do Judiciário, estão envolvidos Daniel Vorcaro, ex-controlador do Banco Master, e Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência citado no contexto das disputas envolvendo as decisões eleitorais e as publicações sobre Nossa Senhora Aparecida.
O que Fachin tenta evitar
A reunião ocorre, portanto, em um momento particularmente delicado para o STF e para o TSE.
Segundo as reportagens, a preocupação central é impedir que as divergências entre ministros do Supremo contaminem a atuação do Tribunal Superior Eleitoral justamente quando a Corte eleitoral precisa funcionar com estabilidade e coordenação.
Não há, nas informações disponíveis, indicação de que o TSE tenha suspendido suas atividades ou de que exista uma decisão institucional para questionar o resultado das eleições. O que existe é uma preocupação relatada por veículos de imprensa com os efeitos que a crise interna do STF pode produzir sobre a governança do TSE.
Com o primeiro turno marcado para 4 de outubro, Fachin busca, neste cenário, reunir os ministros que ocuparão posições centrais na Justiça Eleitoral e preservar o funcionamento institucional do tribunal durante os dias decisivos da eleição.